Contém spoilers

Poucas vezes Hollywood investiu tão bem em marketing como em 2015. A julgar pelas maiores bilheterias do ano (Star Wars e Jurassic World) e o investimento em continuações e refilmagens, outro setor agoniza para o grande público – o de roteiros originais. Parece que a Lucasfilm agradou a massa e a crítica ao requentar O Despertar da Força com elementos da trilogia original de George Lucas. A começar pelo retorno fora de sincronia de alguns personagens como Hans Solo (Harrison Ford), Princesa Leia (Carrie Fisher) e Luke Skywalker (Mark Hamill).

A mescla de expectativa e nostalgia fez com que Star Wars: O Despertar da Força fosse um dos lançamentos mais aguardados do ano. Depois da grande decepção com os episódios I, II e III era hora de um “jovem” diretor assumir a responsabilidade e, finalmente, iniciar a última parte da franquia. Para os grandes estúdios ninguém melhor que J.J. Abrams que acabara de dar novo fôlego a outra saga intergaláctica – Star Trek. Abrams percebeu a grande oportunidade e evitou arriscar, seu grande erro.

O Despertar da Força é mais do mesmo dentro do universo Star Wars. Os personagens clássicos perdem vigor em uma imagem dos anos 80, Han Solo e Lea parecem que estão em outro filme da franquia, enquanto Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega) correm atrás de suas referências. O duelo maniqueísta mofou e o mal já não coloca medo algum quando temos a plena certeza que o bem triunfará na disputa. O Despertar da Força é mais um exemplo de um roteiro morto pelo tempo.

Talvez o pior do filme resida na enfraquecida figura de Kylo Ren (Adam Driver), um jovem Sith, que demonstra poder equivalente/inferior ao de jovens que sequer passaram por treinamento Jedi. O que justicativa tamanha incoerência? Do mesmo lado outra figura sombria espuma pela boca e prepara a “solução final” em uma referência tosca ao nazismo alemão. Parece que a galáxia não é tão distante assim. A “nova” estrela da morte que supera a anterior em tamanho é facilmente destruída pelos rebeldes. O imediatismo no filme de J.J. Abrams é evidente na rápida resolução dos conflitos.

Apesar da evolução dos efeitos especiais e das técnicas de edição, não há como salvar o filme das deficiências em roteiro e, principalmente atuação. Com exceção da jovem Daisy Ridley e do experiente Max Von Sydow (30s), todos os demais atores parecem pouco convincentes. Pena que Harrison Ford preocupou-se apenas com a gorda fatia do bolo.

Enquanto a TV parece evoluir em termos de ousadia e qualidade, a grande indústria do cinema americano agoniza como na profecia de Peter Greenway. Hollywood digitaliza o universo dos quadrinhos e seus infindáveis super heróis, estende sagas e refilma qualquer coisa do qual seu público tenha uma leve recordação e/ou nostalgia.

Que o lucro venha de você!

Assista ao trailer de Star Wars: O Despertar da Força

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