Em 1993 assisti ao primeiro filme que teria um grande impacto na minha percepção do que significa ir ao Cinema. O apavorante Jurassic Park do então diretor Steven Spielberg me prendeu na cadeira, um filme de aventura digno das melhores produções dos anos 80. 22 anos depois eis que me sento novamente em uma sala de cinema para assistir ao filme Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, o “revival” da franquia, dirigido pelo desconhecido Colin Trevorrow e com produção executiva do próprio Spielberg.

O Mundo dos Dinossauros usa a espinha dorsal de seus antecessores, em especial Jurassic Park, referências que acima da homenagem revelam uma grande falta de criatividade da produção e, principalmente dos roteiristas do filme. Trata-se sobretudo de apresentar a obra ao público mais jovem e tentar reacender o interesse dos que já conheciam a franquia sepultada com o fracasso de Jurassic Park III.

O ínicio do filme é pavoroso com a tentativa de encaixar a main title da trilha-sonora e apresentar O Mundo dos Dinossauros, ou melhor, A Disneyland dos dinossauros, a exemplo de outras atrações turísticas – Exit Through The Gift Shop! A única alteração além dos atores parece ter ficado por conta do elevado CGI que estraga o começo do filme. Não há textura suficiente que envolva o espectador na cena do nascimento dos dinossauros. Spielberg usou bonecos e robôs no filme de 1993, a mesma cena de duas décadas atrás tem mais impacto que a atual. Apesar do exagero, o recurso é melhor empregado posteriormente e de certa forma empolga nas cenas finais do filme.

Em O Mundo dos Dinossauros os papéis são bem demarcados. A liderança é masculina, exercida pela figura do caçador e salvador do parque Owen (Chris Pratt). Claire (Bryce Dallas Howard), a inteligente mulher de negócios, desce do salto alto apenas quando o alerta passa de amarelo para vermelho. Há ainda os dois sobrinhos e o milionário dono do parque. Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança com outra obra é mera coincidência. O rascunho é igual e Colin Trevorrow parece ter desenhado o mapa da Isla Nublar com papel vegetal. Copiou o que queria na tentativa de o resultado ficar próximo de Jurassic Park.

Tanto esforço tecnológico não deveria sobrepor a grande mensagem de Michael Crichton em Jurassic Park, a ganância humana não tem limites e o resultado um zoológico de Dinossauros é consumido pela destruição. Tal perda de controle é a base da tragédia entre o criador e criatura. O homem é parte da natureza e nunca estará acima dela. Owen passa o filme tentando domar os velociraptors, já Colin Trevorrow não conseguiu domar a ganância, fazer o seu próprio Jurassic Park.

Assista ao trailer do filme Jurassic World

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