O Jardim e o Amor dos Meus Pais (Vaters Garten – Die Liebe Meiner Eltern) – Peter Liechti, 2013 – 93 min – Suíça (Mostra SP)

Diretor resolve fazer um documentário sobre as diferenças entre seus pais, casados há 62 anos, com os quais ele não tem uma boa relação. O título e a sinopse davam a impressão de um documentário poético, metafórico, que exibisse uma visão romantizada da união do casal. Em vez disso, Peter Liechti, provavelmente por conta da conturbada relação com os pais, conseguiu se afastar da condição de filho do casal e apresenta um documentário bastante frio e analítico do relacionamento entre marido e mulher entre seus pais ao longo dos anos. Como resultado, tem-se um retrato de uma geração de casais que se uniu e se manteve junto antes das mudanças sociais dos anos 70/80 e que poderia ter seus hábitos drasticamente modificados ou até mesmo terem um destino diferente caso se formassem nos dias atuais.

Dois Amantes e um Gato (PA-SU-KA) – Ahn Seon-Kyoung, 2013 – 97 min – Coréia do Sul (Mostra SP)

Uma roteirista de 40 anos vive com seus gatos e seu namorado de 17 anos. A safra recente do cinema sul-coreana é marcada por filmes duros e ríspidos ou extremamente sensíveis e delicados. Dois Amantes e um Gato combina harmoniosamente ambas as características e apresenta-se com um belíssimo filme entre dois personagens que não se ajustam ao meio social em que vivem.

A Gangue (Plemya) – Myroslav Slaboshpytskiy, 2014 – 132 min – Ucrânia (Mostra SP)

Um jovem surdo chega em um internato especializado que abriga uma rede criminosa entre seus estudantes.  O longa de estreia do diretor é uma experiência ousada quanto a sua linguagem. O filme, de pouco mais de duas horas, é feito totalmente em linguagem de sinais. Os únicos ruídos que se ouve no filme são barulhos de portas se fechando, passos pelos corredores, grunhidos de dor e de prazer sexual. A ausência de comunicação oral, que não compromete em nada o entendimento da narrativa, coloca o espectador numa posição de voyeur incômoda,  impotente, frente ao alto grau de violência e frieza apresentado pelos personagens. Os jovens delinquentes desse internato apresentam medos e angústias comuns a todos jovens dessa idade, mas a violência as influenciam diretamente, caracterizando-as de modo bastante peculiar.  O longa é extremamente cru e seco, lembrando a estética apresentado pelos grandes filmes do cinema romeno dos últimos anos (4 meses, 3 semanas, 2 dias; A Morte do Senhor Lazarescu; Polícia, Adjetivo; À Leste de Bucareste), mas apresentando uma narrativa mais vertiginosa que os romenos, mais lentos e contemplativos.

O Retorno de Antígona (Na Kathese Kai Na Koitas) – Yorgos Servetas, 2013 – Grécia (Mostra SP)

Depois de muito tempo ausente, Antígona retorna a sua pequena cidade natal em busca de tranquilidade e encontra um cenário totalmente diferente. Blá, blá, blá, parece um filme de sessão da tarde com a Sandra Bullock falado em grego com um pouco mais de violência e com personagens que você não consegue entender bem qual a relação deles com a protagonista.

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