Ana Ana (Ana Ana, I am me in arabic) – Petr Lom, Corinne van Egeraat, 2013 – 75 min – Holanda, Egito (Mostra SP)

Analisando o que significa ser mulher no Egito pós-revolução de 2011, quatro jovens mulheres egípcias usam suas próprias câmeras para revelar suas vidas interiores. A premissa é bastante interessante e o documentário possui alguns belos momentos, mas ao final, fica-se com uma sensação que o material poderia ter sido melhor aproveitado.

Sono de Inverno (Kis Uykusu) – Nury Bilge Ceylan, 2014 – 196 min – Turquia, Alemanha (Mostra SP)

Mais uma vez em Anatolia, Ceylan dá a vida a Aydin, personagem que administra um pequeno hotel local com a sua esposa e sua irmã. Com o inverno chegando, castigando a paisagem de Anatolia e a diminuição do número de turistas, as relações pessoais entre os personagens vão se decompondo pelo isolamento e fazendo emergir íntimos e duros conflitos. Winter Sleep é um filme duro, seco, ríspido, de difícil digestão. Afastando-se dos planos abertos e da contemplação do silêncio, características marcantes de sua obra, Ceylan aposta em planos mais intimistas, às vezes sufocantes, em ambiente interiores escurecidos e preenche o filme com longos e difíceis diálogos na maioria das vezes ditado por Aydin, personagem de personalidade bastante complexa e opressora, o qual o silêncio parece incomodar.  É um filme difícil para se dar um veredito sem uma maior reflexão e sem talvez uma segunda revisão, mas a impressão que fica após sair da sessão é que Winter Sleep não me pegou tanto quanto outros filmes do Ceylan (Distante, de 2002, é realmente um filme esplendoroso) e nem como outros filme vencedores da Palma de Ouro dos últimos anos (A Fita Branca; 4 meses, 3 semanas, 2 dias; A Árvore da Vida).

Blind Dates (Brma paemnebi) – Levan Koguashvili – 99 min – Geórgia, Ucrânia (Mostra SP)

Sandro é um professor de meia idade e junto com seu amigo Iva vivem realizando encontros às cegas com mulheres pela internet. Até quando se apaixona por Manana, cujo marido está prestes a sair da prisão. Excelente surpresa, esse filme geórgio é uma hilariante tragicomédia , carregada de inteligente humor negro, que de modo leve, mas não leviano, aborda a questão da dificuldade do estabelecimento de relações pessoais. Imperdível para os fãs da obra do finlandês Aki Kaurismaki. Destaque para a construção do personagem Sandro, que à la Buster Keaton, não expressa nenhuma expressão, independente do quão é inusitada a situação que lhe ocorra, conferindo maior comicidade à diversas passagens.

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