O cinema cru e naturalista ganhou bastante espaço nos festivais nos últimos tempos. É bem possível que esta “febre”, se é que se pode chamar assim, tenha tido origem no boom de cinema romeno que teve seu início na metade da década passada com filmes como “4 meses, 3 semanas, 2 dias” e “À Leste de Bucareste“. São filmes que se utilizam de uma estética bastante realista e minimalista, que chega a lembrar o documental em alguns momentos, e contam com isso para adicionar a dramaticidade de suas histórias. Matar Um Homem, terceiro filme do chileno Alejandro Fernández Almendras, claramente bebe nesta fonte. O filme conta a história de Jorge, um pai de família, que acaba por se envolver com criminosos, que passam a ameaçá-lo e a sua família. Um argumento pouco original, que faz necessário que seu desenvolvimento se dê de forma interessante, para que o longa tenha alguma força.

Em Matar um Homem, o diretor aposta em expandir o tempo sempre que possível, observando os protagonistas na tentativa de conseguir gerar alguma empatia com o público e de criar a tensão que a história pede. O que funciona até certo ponto, porém há uma falta de volume no roteiro que acaba prejudicando o filme. A trama principal é tratada com aprofundamento, mas não tem força por si só para sustentar o filme todo. Uma sub-trama conduz o protagonista a um cenário de solidão, que talvez seja o que há de mais interessante no filme, porém é bastante mal aproveitada, tornando-se mais do que secundária.

Não conheço os outros filmes do diretor para dizer se ele já se apoiava nesta estética anteriormente, mas a impressão que fica é que Matar um homem é um exercício de estilo que poderia ter sido melhor. Esta estética pede uma força maior do roteiro, posto que abre mão de diversos artifícios do cinema como trilha sonora, iluminação emotiva, entre outras coisas. E acaba que o roteiro não tem esta força e o resultado final acaba sendo prejudicado por isso.

Assista ao trailer de Matar um Homem

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