A Marvel e a DC Comics têm apresentado os blockbusters mais interessantes nos últimos tempos. Com a tecnologia permitindo com que os universos dos super heróis sejam passados com bastante realidade na tela, as duas empresas utilizam seus catálogos gigantescos de HQs para driblar a tal “crise de criatividade” que se instaurou no cinema comercial americano. Coloquei entre aspas porque cada vez fica mais claro que o problema não é uma falta de criatividade em si, mas sim uma diminuição da ousadia das grandes produtoras, que preferem apostar no certo, o que tem dado dinheiro (ou seja, o que lhes interessa), do que arriscar em algo novo. Desta vez o jogo da Marvel é com Os Guardiões da Galáxia, grupo que teve sua primeira aparição nos quadrinhos na década de 60, porém com outra formação, e que reapareceu em 2008, já com a formação utilizada pelo filme. Por serem personagens poucos conhecidos não só do público geral, mas também do público dos quadrinhos, a liberdade de criação em cima deles era imensa, assim como os riscos de não se criar uma empatia com o público. O resultado final é um jogo de equilíbrio desta equação, se aproveitando desta liberdade para criar elementos que conquistem o público com maior facilidade, assim minimizando os riscos.

O elemento mais claro neste jogo é o trabalho feito em cima do humor no filme. Os Guardiões da Galáxia trabalha com tiradas inteligentes, usadas quase que como uma regra, nos momentos de tensão do filme, sempre com uma quebra forte do clímax. É uma maneira de brincar com a própria fórmula dos filmes de gênero – aliás o filme faz isso o tempo todo, tendo inclusive uma cena à la Jaspion, daquelas que o personagem vira de costas e todos os inimigos caem, ao mesmo tempo em que uma explosão acontece ao fundo. – Porém pode-se enxergar estas quebras com humor como uma certa insegurança, que foge de todas as responsabilidades de tratar o filme com seriedade.

Esta leveza em excesso já fica bastante clara nos tons que Os Guardiões da Galáxia utiliza, bastante colorido, com cores saturadas, e também na apresentação dos personagens, seja um ladrão universal que pratica seus crimes sempre ouvindo músicas das décadas de 70 e 80 em seu walkman – o que aliás contribui bastante para o clima cool do filme, além de deixar a trilha sonora uma delícia -, seja em um ser que lembra muito uma árvore, que fala e se locomove como um humano, e que só sabe se expressar através de uma frase.

O problema reside nos pontos em que o filme necessita de mais seriedade mas não a encontra. A personagem Gamora (Zoe Saldana) por exemplo, tem um passado bastante sombrio e um arco bastante interessante, mas desenvolvido muito levianamente, de modo que difícil de engolir as motivações dela. O mesmo pode-se dizer dos vilões do filme, que ficam totalmente em segundo plano. O que tira a maior parte da emoção de uma das cenas finais de Os Guardiões da Galáxia, afinal o vilão não foi bem trabalhado o suficiente para criar qualquer tipo de tensão ao espectador, é a cena ali acontecendo quase que crua, sem um combustível para aumentar sua força.

A impressão que fica é que Os Guardiões da Galáxia serviu apenas para apresentar os novos personagens, que devem ser trabalhados em sequências asseguradas não só pelos ganchos, mas até mesmo pelos créditos do filme. Com este estilo mais seguro, apostando forte no humor, está conquistando os espectadores que vão ao cinema para se divertir. Com os personagens base já devidamente apresentados, fica a esperança de uma continuação mais interessante com mais espaço para personagens secundários e uma boa trama.

Assista o trailer de Os Guardiões da Galáxia

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