Ontem chegou ao fim o Paulínia Film Festival, em uma premiação que se dividiu principalmente entre “A História da Eternidade” e “Casa Grande” entre os longas, e premiou o curta “O Clube” com três dos quatro prêmios possíveis para esta categoria.

O último dia do festival de Paulínia teve a exibição de três longas internacionais. “A Imigrante”, de James Gray, “Bem-vindo a Nova York”, de Abel Ferrara e “O Casamento de May” de Cherien Dabis. Sobre os dois primeiros, que são merecedores de atenção maior, vou postar textos separados nos próximos dias. Sobre o terceiro, pode-se comentar brevemente que é uma tentativa de se construir um filme leve sobre um tema pesado, o confronto religioso no oriente médio. No filme em questão, uma escritora da Jordânia, que vive em Nova York, volta para sua terra natal para concretizar seu casamento. O maior problema reside no fato de seu noivo ser muçulmano e sua mãe católica. O filme consegue tratar o tema com leveza, mas não sem consequências. Em muitos momentos chega a lembrar alguns filmes comerciais brasileiros, daqueles que tem o público feminino como público-alvo, e para conquistá-lo utilizam-se de piadas que denigrem  a imagem da mulher, mostrando-as sempre como seres fúteis, competitivas entre si, sem contar, no caso específico do filme, o fato de colocarem a personagem gordinha feia como a homossexual do elenco.

Mas voltando à premiação, cabe dizer que a seleção de longas do festival manteve um bom nível, além de bastante eclético, portanto injustiças eram inevitáveis e filmes como ”Castanha” e “Aprendi a Jogar Com Você” ganharam apenas um prêmio cada, de som e montagem respectivamente, quase como uma consolação para filmes que demonstraram bastante personalidade em suas escolhas e êxito em suas construções, porém talvez pelo pensamento mais tradicional do Júri tenham ficado em segundo plano em relação à filmes ficcionais com propostas mais convencionais.

Não que os filmes que venceram a maior parte dos prêmios, onze dos quinze prêmios para longas ficaram entre “Sangue Azul”, “Casa Grande” e “A História da Eternidade”. “Sinfonia da Necrópole” e “Boa Sorte” também não saíram de mãos vazias, levando um troféu cada.

No espaço reservado para curtas, “O Clube” foi o grande vencedor, levando quatro dos seis prêmios possíveis. A seleção de curtas de modo geral foi mais mediana, com apenas quatro dos oito sendo merecedores de maior atenção: “Jessy”, “O Clube”, “O Bom Comportamento” e “Edifício Tatuapé Mahal”, estes dois últimos, vencedores do prêmio especial do júri e de melhor roteiro para curtas, respectivamente.

A retomada em grande estilo do festival e também do Pólo de Paulínia devem ser comemoradas, apesar de toda a politicagem que os circundam, e cabe a torcida para que se mantenham, independente de trocas de mandatos. O cinema nacional agradece.

Segue a lista com todos os vencedores do Paulínia Film Festival

Paulínia Film Festival – LONGAS

Melhor Filme: “A história da Eternidade”, de Camilo Cavalcante

Prêmio Especial Júri: “Casa Grande”, Fellipe Barbosa

Melhor Direção: Camilo Cavalcante, “A História da Eternidade”

Melhor Ator: Irandhir Santos, “A História da Eternidade”

Melhor Atriz: Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Débora Ingrid, “A História da Eternidade”

Melhor Ator coadjuvante: Marcello Novaes, “Casa Grande”

Melhor Atriz coadjuvante: Clarissa Pinheiro, “Casa Grande”

Melhor Roteiro: Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg, “Casa Grande”

Melhor Fotografia: Mauro Pinheiro Júnior, “Sangue Azul”

Melhor Montagem: Eva Ranpolph, “Aprendi a Jogar com Você”

Melhor Som: Thiago Bello, “Castanha”

Melhor Direção de arte: Cláudio Amaral Peixoto, “Boa Sorte”

Melhor Trilha Sonora: Juliana Rojas, Marco Dutra e Ramiro Murilo, “Sinfonia da Necrópole”

Melhor Figurino : Juliana Prysthon, “Sangue Azul”

Prêmio do Público: “Boa Sorte”, de Carolina Jabor

Prêmio da Crítica: “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalvante

Paulínia Film Festival – CURTAS

Melhor filme: “O Clube”, de Allan Ribeiro

Melhor Direção: Allan Ribeiro, “O Clube”

Melhor Roteiro: Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, “Edifício Tatuapé Mahal”

Prêmio Especial do Júri: “O Bom Comportamento”, de Eva Randolph

Prêmio do Público: “O Clube”, de Allan Ribeiro

Prêmio da Crítica: “O Clube”, de Allan Ribeiro

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