Depois de algum tempo parado e com edições menores, o Paulínia Film Festival volta com tudo em sua 6ª edição. O festival, que vinha se firmando como uma das principais vitrines das novidades do cinema nacional pretende continuar traçando este caminho, enquanto traz outra novidade nesta edição, que são os filmes internacionais fora de competição, junto à comemoração dos 25 anos da distribuidora Imovision.

A noite de abertura do festival mostrou as pretensões grandiosas que ele pretende firmar daqui para frente. Uma vinheta de animação espetaculosa abriu as apresentações, que seguiram com um show de luzes e projeções que davam uma grande pompa à noite, que teve Marcos Caruso e Vera Holtz como apresentadores do palco, onde subiram personalidades variadas que iam desde José de Abreu, passando por Abel Ferrara, Jacqueline Bisset, Tony Gatlif, Danny Glover até o prefeito, seu pai (o ex-prefeito), o presidente da câmera. Mostrando essa cômica mistura que é o clima do festival, do glamour ao provincianismo.

Por tudo que Paulínia vem representado para o cinema nacional nos últimos tempos, com maciços investimentos, devemos torcer para que o festival, assim como o pólo cinematográfico, continuem a crescer.

Sobre o filme de abertura, “Não Pare na Pista“, uma cine-biografia do escritor Paulo Coelho, aparentemente a estreia na direção de longas-metragem de ficção pesou um pouco ao diretor Daniel Augusto.

O filme percorre a vida do Mago desde sua adolescência até os dias atuais, passando por sua fase de parceria com o cantor Raul Seixas, seus problemas com o pai e as dificuldades em tornar-se e consolidar-se como um escritor.

Tudo é mostrado a partir de uma montagem e direção desastrosas, que não sabem se utilizar como ferramentas dramáticas. Fazer cinema não é apenas ordenar uma porção de imagens bem fotografadas. As imagens contam uma história, é verdade, e esta não deixa de ter seus fatores interessantes, mas falham ao construir as emoções que as cenas pedem.

O roteiro não se arrisca muito, passa por diversos momentos da vida do renomado escritor mas não se aprofunda em nenhum deles, o que se mostra uma escolha equivocada pois impede que se explore mais uma dada emoção.

A parte mais interessante do filme se dá pouco depois de sua metade, quando finalmente ele parece focar por um maior tempo em uma fase da vida do escritor e dá esperanças de que o filme finalmente melhore, porém no seu caminho para o final da sessão, volta a cometer os mesmos tropeços.

O que sobra é um punhado de sequências que pouco dialogam entre si e por não decidir qual caminho tomar, acabam chegando a lugar nenhum.

Assista ao trailer de Não Pare na Pista

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