Planeta dos Macacos: O Confronto é a segunda parte da franquia que propõe um prólogo aos clássicos filmes que tiveram sua primeira aparição em 1968, adaptados de um livro de Pierre Boulle. A direção agora fica na mão de Matt Reeves, mais conhecido por ter dirigido o filme “Cloverfield”, além de ter trabalhado com o diretor James Gray no roteiro do excelente “Caminho Sem Volta”. Reeves mostra a que veio e, apoiando-se num bom trabalho de roteiro, apresenta uma sequência superior ao filme de 2011.

Como a tradução brasileira do título já diz, Planeta dos Macacos: O Confronto se concentra na batalha entre macacos e humanos. Em uma primeira parte esse confronto é mais sutil, mas já é trabalhado um contraste de culturas que se desenvolve para o confronto em seu sentido mais usual e esperado pelos fãs da nova franquia, onde a ação acontece.
É interessante notar o cuidado com o desenvolvimento de Planeta dos Macacos: O Confronto. Diferente da maioria dos filmes da indústria americana, a construção da tensão da trama é muito bem preparada, escondendo a ação para somente quando esta é realmente necessária.

O foco nos personagens macacos é bem maior do que no primeiro filme, o que ajuda a construir ou consolidar bons personagens, com destaque, obviamente, para o César (Andy Serkis) que é quem recebe a maior parte dos conflitos morais do filme para mostrar que é capaz de ocupar seu cargo de líder.
Embora seja unilateral em demasia, pode-se dizer que o personagem de Koba (Toby Kebbell) é também bastante interessante. Apesar de suas motivações de início não parecerem justificar toda sua vilania, posto que diversos outros macacos passaram por maus tratos similares ao dele com humanos, sua sede de poder vai dando as caras e volume ao antagonista do filme.

Por serem melhor desenvolvidos, os personagens macacos acabam se mostrando muito mais “humanos” do que os homens do filme. O antagonista da ala dos homo sapiens é risível e nasce de soluções simples para conflitos fracos, enquanto o protagonista Malcolm (Jason Clarke), já tem um pouco mais de personalidade, embora seja usado principalmente como ferramenta narrativa para o desenvolvimento do filme.

Há cenas bastante interessantes em Planeta dos Macacos: O Confronto, muitas delas graças à fotografia muito bem trabalhada de Michael Seresin que em muitos momentos se utiliza de silhuetas em contraposição à luz para trabalhar a dramaticidade. Há um plano em particular que chama muita atenção, quando a câmera acompanha o rodopiar de um tanque de guerra, em dos momentos memoráveis do filme, no meio de uma cena de ação muito bem executada, que consegue desenvolver bem a narrativa em meio às explosões.

Em contraponto há também cenas que não convencem, como a cena da bomba debaixo da torre. A cena começa bem trabalhada, criando uma tensão interessante entre os personagens envolvidos, prometendo grandiosidade para sua conclusão. Porém sua solução não corresponde com o esperado e decepciona, servindo apenas de um desfecho pobre para personagens secundários.

Entre prós e contras, Planeta dos Macacos: O Confronto vale a sessão por seu empenho em se destacar no mar de blockbusters, ainda que não abra mão de diversos clichês.

Assista ao Trailer de Planeta dos Macacos: O Confronto

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