Terry Gilliam, além de ser membro do clássico grupo Monty Python, é também bastante conhecido por seus filmes de ficção científica futuristas, os quais se destacam em sua eclética filmografia, como Brazil e Os 12 Macacos, este último, uma interessante releitura do belo La Jetée de Chris Marker. O Teorema Zero retoma essa investida em um futuro caótico que pode servir perfeitamente como uma metáfora exagerada dos caminhos que a sociedade atual tem tomado, de modo parecido com que fez Spike Jonze em Ela ou então a série inglesa, Black Mirror. No caso de Gilliam, tudo é muito mais colorido, neon e espalhafatoso.

O universo criado é bastante interessante e cheio de detalhes, há um trabalho primoroso de direção de arte que é o ponto alto de O Teorema Zero, bastante interessante visualmente. É sim, em muitos momentos até poluído demais imageticamente, mas de forma proposital para demonstrar todo essa desordem futurista.

A proposta faz lembrar o filme Pi de Aronofsky. Um sujeito, Qohen Leth – interpretado por um Christoph Waltz que se esforça, mas não parece se encaixar completamente à estranheza do personagem – é incumbido da tarefa de resolver uma equação que revelaria o sentido da vida, ao mesmo tempo em que aguarda uma chamada que lhe revelaria a razão da existência do universo.

No fim das contas, O Teorema Zero parece investir esforço demais na criação de todo seu universo, tanto engenhosamente quanto em questão visual, colocando o roteiro em si em segundo plano, o que enfraquece bastante o filme em diversos pontos.

Os personagens se mostram bastante desinteressantes e em nenhum momento conseguem desenvolver bem uma empatia maior com o espectador e os problemas propostos pelo roteiro também não atingem grande profundidade, resultando em um final com uma lição de moral dada de forma bem pobre.

Assista ao trailer de O Teorema Zero

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