Sob a Pele não durou mais do que poucas semanas em cartaz no Brasil. O filme de Jonathan Glazer, adaptado do livro de Michael Faber, conta a história de uma alienígena que vem à Terra e tem homens da Escócia como presas. A mão pesada e com bastante personalidade de Glazer na direção parece ter eclipsado até mesmo o grande chamariz do filme, as cenas com Scarlett Johansson nua, fazendo com que o mesmo não fizesse tanto sucesso com os espectadores.

É triste notar que os espectadores, até mesmo aqueles que frequentam o circuito alternativo, andam demasiadamente acomodados com o que lhes é mostrado e cada vez mais o caráter de entretenimento do filme fique sobreposto à sua experiência de apreciação artística.

Não há tantos filmes com propostas inovadoras nos dias de hoje. Muitas experiências já foram realizadas na sétima arte – muitas delas no início do século, com seu desenvolvimento inicial; outras tantas em um boom revolucionário desta arte na década de 60 – e sempre há alguma coisa ou outra nova e interessante que é oferida e posteriormente incorporada ao leque de ferramentas de linguagem que o cinema possui.

E estes poucos filmes parecem perder cada vez mais o interesse do público em detrimento daqueles que apenas fazem se utilizar de tudo o que já se foi proposto para contar sua história. Não que estes estejam errados, nem mesmo que o cinema não possa ser puro entretenimento. Mas o peso que se vem dando às diferentes vertentes dessa arte andam injustos. O novo parece não instigar como se instigava antes, proporcionando amplos debates que só faziam contribuir para a arte em si.

Sob a Pele se encaixa neste grupo. Propõe algo fora do que estamos acostumados. Não necessariamente revolucionando a linguagem cinematográfica, mas se utilizando de suas ferramentas de maneira bastante peculiar e por isso interessante.

Desde o começo sua estética se apresenta com força, causando uma espécie de estranheza, que se dá pelo fato de ser algo pouco usual aos nossos olhos. Esse sentimento de excentricidade casa-se perfeitamente com a proposição do filme. E junto com a trilha-sonora, altamente elogiável, cria o clima do filme ao mesmo tempo que dialoga diretamente com seu argumento, que diz muito sobre a estranha sensação de não-pertencimento.

Criando um universo novo, sobre o qual não faz nenhuma questão de dar maiores explicações – e estas não se mostram mesmo necessárias – o diretor vai delineando sua narrativa que vagarosamente vai mostrando a que veio e ditando reflexões bastante interessantes sobre a condição de ser humano e tudo aquilo a que somos moldados.

Johansson tem uma de suas melhores atuações, e passa muita verdade sobre a personagem alienígena que tenta entender os seres humanos ao mesmo tempo em que executa sua tarefa neste planeta, e que se vê tomada e traída pela curiosidade desta experiência.

Uma pena Sob a Pele ter ficado tão pouco tempo em cartaz, e, também por consequência disto, ter gerado pouco debate, pois merecia ser visto em tela grande, com toda a imersão que só uma sala de cinema oferece.

Assista ao trailer de Sob a Pele

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