Há muito tempo, um livro-reportagem não liderava a lista de mais vendidos de não-ficção, até o lançamento de O Holocausto Brasileiro (Geração Editorial, 2013). Escrito pela jornalista Daniela Arbex, repórter especial do jornal Tribuna de Minas, o livro é uma investigação sobre os bastidores do Hospital Colônia, da cidade de Barbacena.

No prefácio de O Holocausto Brasileiro, a jornalista Eliane Brum consegue ressaltar os dois principais pontos do trabalho de Arbex. Um deles é a memória. Ao lembrar que o “repórter luta contra o esquecimento” e “transforma em palavra o que era silêncio”, Eliane vai ao cerne do trabalho da jornalista mineira, que resgatou histórias de pessoas que não foram presas porque estavam fora de si, mas porque foram rejeitadas pela sociedade e foram obrigadas a pagar crimes cometidos por outros: incompreensão, preconceito e omissão de fatos (como o de aprisionar mulheres grávidas para omitir um estupro ou um adultério).

Outro ponto levantado por Eliane é que, mesmo que o leitor saiba, sem o trabalho de Daniele, que o hospital está desativado, a reportagem não é para apenas documentar, ou mostrar como isso aconteceu. É para gravar na memória do leitor que ele e toda sociedade possui uma culpa que  nunca será julgada formalmente: a da negligência com todas as barbaridades cometidas a negros, pobres, presos, mulheres e outros loucos que só o são porque não são vistos aos olhos da razão alheia que os marginaliza.

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