Lech Walesa é uma grande personalidade na história da Polônia. Sua trajetória guarda certas similaridades com a do ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva se notarmos que ambos emergiram de camadas populares com uma importante atuação sindical, culminando na liderança máxima de um país republicano, o cargo da Presidência da República. Assim como o Brasil produziu a cinebiografia do ex-presidente, coube ao experiente Andrzej Wajda a tarefa de adaptar a história do homem que enfrentou a estrutura arcaica do comunismo para garantir melhores condições de trabalho aos operários poloneses.

O filme de Wajda parte de uma entrevista de Walesa (Robert Wieckiewicz) para a jornalista italiana Oriana Fallaci (Maria Rosaria Omaggio), modelo em que o personagem relembra a própria trajetória, algo comum em cinebiografias. A linguagem parece uma mistura de Vincere (Marco Bellocchio,2009) e Frost/Nixon (Ron Howard, 2008). Apesar da estrutura tradicional, há um estranhamento provocado pela trilha-sonora, o punk/rock polonês acelera o ritmo lento do filme. Wajda também utiliza fotografia sépia e preto e branco em certas passagens para dar um caráter documental ao filme, como se o mesmo reunisse imagens de arquivo, fato que quando acontece mescla personagens reais com atores, o que pode causar certa confusão entre o campo real e ficcional.

O roteiro é sonolento e preso ao vaivém das manifestações e prisões envolvendo Walesa. Assim como em outros filmes, Wajda desconstrói a figura do herói humanizando o protagonista, homem simples mas que soube se organizar através da própria insatisfação. Apesar da perseguição do regime comunista, há pouca cenas de violência contra Walesa, a polícia do Estado aparece de maneira tola, presa às burocracias de um regime prestes a fracassar.

Por fim, temos a ascensão de Walesa, líder da classe operária e de grevistas que ganha notoriedade internacional ao receber o prêmio Nobel da Paz e discursar na ONU, momentos que demonstram a vitória do capitalismo e que culminam com a queda do muro de Berlim em 1989. Wajda fecha seu filme com um ato simbólico de Walesa que ao sair de casa deixava a aliança e o relógio com a esposa pois não sabia se retornaria. Depois de tantas voltas Wajda demonstra que a mão pesada de Danton (1983) é parte do passado. Apesar da maioria das características do diretor permanecerem, é clara a admiração pelo personagem que traçou novos rumos para seu país.

Assista ao trailer de Walesa

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