A Culpa é Das Estrelas é mais um daqueles filmes que se aproveitam do sucesso momentâneo de um best seller adolescente para ganhar uns trocados extras no final do mês. Aparentemente a adaptação não desapontou os fãs e de quebra deve conquistar mais leitores para o livro.

A Culpa é das Estrelas promete ser diferente de outros romances, mas na verdade não carrega tanta originalidade consigo. Filmes de amores predestinados a ter um fim próximo nunca deixaram de ser produzidos pelo cinema. A diferença aqui é que os protagonistas têm câncer, o que é interessante por um lado, já que o filme tenta mostrar a naturalidade da rotina de pessoas com a doença e o faz consideravelmente bem, porém não deixa de ser uma ótima ferramenta de manipulação de emoções da platéia.

A Culpa é das Estrelas quase todo se apoia justamente nessas manipulações. Tudo é construído para soar da forma mais fofa o possível, o que por muitas vezes acaba soando artificial em demasia. Uma das frases mais repetidas, presente no livro preferido da protagonista, diz “A dor é para ser sentida”, porém o filme trabalha árdua e exaustivamente para que tal dor seja suavizada durante sua totalidade. Não que isso não seja válido, ainda mais para um filme sobre pessoas com câncer direcionado à garotas de 15 anos apaixonadas, porém demonstra um pouco da incoerência do texto.

Parte de A Culpa é das Estrelas se apoia no fato de os protagonistas quererem se encontrar com o escritor do livro já citado para descobrirem o que acontece depois de o final deste, que termina com uma pobre metáfora para a vida, encerrada de uma hora para outra.

Aos fãs do livro, não recomendo a leitura de Clarice Lispector. Pode ser decepcionante demais.

Só o fato de boa parte da trama se apoiar em algo tão vazio e falsamente poético, ao mesmo tempo que destrói o mínimo sinal de poesia que poderia haver ali, da liberdade do leitor em construir seu próprio final do livro, diz muito sobre A Culpa é das Estrelas.

O personagem do escritor me pareceu o mais interessante, ao mesmo tempo em que foi pessimamente construído. Seu discurso configura-se o mais verdadeiro dentro do filme e também o que mais traz alguma reflexão, porém passa o filme todo sem conseguir completar um raciocínio e ser compreendido. Ao mesmo tempo em que seu personagem é mostrado com um maniqueísmo desequilibrado que torna bastante inverossímil sua segunda aparição no filme, ainda que o discurso permaneça interessante.

Apesar de todos os contratempos, há alguns detalhes que concedem um pouco de vida à A Culpa é das Estrelas. Seja quando Augustus (Ansel Elgort) finalmente se mostra um ser humano e se desprende de sua máscara de segurança em um momento de extrema fraqueza, seja em um diálogo quase improvisado entre Hazel (Shailene Woodley) e seus pais, que diz muito sobre os sentimentos tanto dela quanto deles.

São justamente esses momentos que dão o tempero para que A Culpa é das Estrelas não seja um melodrama facilmente esquecível. Provavelmente estes momentos, que carregam alguma verdade consigo serão os que permanecerão na memória daqueles que assistirem ao filme e não aquela cena patética da salva de palmas ou sua trilha sonora que implora pela identificação do público.

Assista ao trailer de A Culpa é das Estrelas

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