E lá vamos nós de novo com o que já podemos chamar de gênero de viagem no tempo. Uma semana depois de ‘X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido’ estrear no Brasil, já trazendo elementos deste gênero, No Limite do Amanhã chega às telas nacionais com mais uma pitada de deslocamentos temporais.

Viagens no tempo carregam consigo um certo mistério e encantamento, possibilidades infinitas tanto para o bem quanto para o mal. Justamente por isso segue aparecendo em roteiros dos mais diversos tipos, não apenas no cinema.

No Limite do Amanhã é baseado nos light novels ‘All You Need Is Kill‘ de Hiroshi Sakurazaka. O roteiro se baseia em uma engenhosidade que faz lembrar, e muito, a idéia de um jogo de videogame, onde temos um personagem, obstáculos para chegar até o final de uma fase e diversas vidas, que podemos eventualmente perder “morrendo”, passando a termos outra oportunidade de passar pelos mesmos obstáculos, desta vez já conhecendo-os melhor. Inclusive a ideia de um “último chefão”, como costumávamos chamar o obstáculo final na infância, está também presente no roteiro.

Passear em gêneros que se repetiram infinitas vezes no cinema – viagem no tempo, alienígenas, militares e guerra, no caso deste filme – é sempre perigoso, a chance de cair em clichês é enorme, principalmente em tempos onde a indústria pouco se interessa em riscos, portanto escolhas mais ousadas costumam ficar fora de cogitação.

No Limite do Amanhã não escapa de muitos destes clichês, mas nem por isso é ruim. Apoia-se em uma ótima montagem, que se alia ao roteiro em uma construção que não cai na armadilha de ser excessivamente didática, em se tratando de um filme de Hollywood, e tão pouco confusa, características aliás, que já enumerei em meu texto sobre o último filme de ‘X-Men’.

Mas aqui elas são ainda melhor manejadas, principalmente em se notando que, diferente do filme dos mutantes, onde há diversos pontos de interesse, principalmente nos personagens, aqui o foco maior é apenas a questão da viagem no tempo. Outra diferença pontual em No Limite do Amanhã é que a proposta aqui é mais ousada e de certa forma se limita, aumentando os riscos de se tornar excessivamente repetitiva, mas sabe driblar muito bem isso, utilizando as dificuldades em favor do roteiro e também criando bons momentos cômicos a partir disso.

O maior defeito em No Limite do Amanhã está na velha mania de querer encaixar um romance em todo e qualquer filme da indústria, mesmo quando um romance simplesmente não faz sentido dentro da proposta ou da história do filme. No começo ficamos com a impressão de que Rita, muito bem interpretada por Emily Blunt, é uma personagem feminina muito forte, o que é admirável posto que ainda em 2014 isto seja raro. Mas ao fim da exibição a impressão é de que a personagem só era uma mulher por ser uma ferramenta do roteiro para as tentativas de momentos românticos na tela. Prova disto é observar que entre centenas de homens apenas mais uma outra garota faz parte do grupo dos militares.

Ainda assim, mesmo caindo em diversos clichês dos gêneros que aborda, No Limite do Amanhã mostra uma personalidade interessante e mesmo que possa acabar sendo mais um daqueles filmes que esquecemos com o tempo, deve durar mais tempo na memória do que a média.

Assista ao trailer de No Limite do Amanhã

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