Fã confesso de Steven Spielberg, Gareth Edwards parece ter sido uma escolha bastante interessante para a direção do novo Godzilla. Com apenas um longa feito para o cinema antes desse, “Monstros”, de 2010, o diretor já havia trabalhado diversas vezes como produtor de efeitos especiais.

Godzilla é um nome bastante forte no cinema, não apenas por sua grandiosidade como monstro e seu conhecido poder de destruição. Depois de sua primeira versão em 1954, um clássico japonês criado como metáfora e crítica às bombas atômicas, foram dezenas e dezenas de continuações e remakes, sem contar a influência em outras centenas de filmes com o mesmo estilo, de monstros destruindo cidades.

Ao contrário do fracasso que foi a versão americana de 1998, desta vez há um esforço bastante considerável para se fazer uma obra séria. Os créditos iniciais já demonstram isso, fazendo uma alusão a filmes antigos e construindo um clima de mistério em cima do tal monstro.

Godzilla tem diversas escolhas bastante interessantes e que contribuem para o resultado final. O roteiro tenta se focar no desenvolvimento de alguns personagens, criando uma empatia do espectador com eles, colaborando para que os momentos de tensão tenham mais força.

Até mesmo o monstro Godzilla consegue ganhar a torcida de quem assiste ao filme. A aparição deste é dada aos poucos, outra escolha bastante eficaz. Primeiro se constrói uma tensão sobre ela, e mesmo quando finalmente podemos vê-lo, na maior parte das vezes é em closes, uma forma do diretor em mostrar a grandiosidade do monstro e principalmente em não banalizar sua presença. Esta técnica, de criar um suspense sobre o monstro e só depois mostrá-lo, foi bastante utilizada em filmes como “Tubarão” e “Alien”, por exemplo.

Porém, apesar de diversas boas escolhas, há muitos elementos que prejudicam Godzilla. O principal deles se dá na escolha do protagonista Ford Brody. De todos os personagens ali apresentados, ele é um dos menos interessantes. A atuação sem graça de Aaron Taylor-Johnson também contribui para essa falta de sal do personagem.

Dr. Ichiro Serizawa, interpretado por Ken Watanabe e Joe Brody, pai de Ford, interpretado por Bryan Cranston, personagens muito mais complexos e com mais a dizer, são mal aproveitados. Até mesmo Juliette Binoche, uma das musas da sétima arte, mesmo com pouca participação no longa, consegue cativar mais o espectador do que Ford.

Como a grande maioria dos remakes, mesmo que no caso haja um esforço de adicionar uma nova personalidade à trama, o sucesso comercial é o que mais interessa ao filme (tanto é, que o filme já tem uma continuação prevista), fazendo com que muitas escolhas sejam feitas de modo a evitar riscos, portanto sempre propícias a cair no clichê. Assim sendo, o clássico original continua a anos-luz das novas incursões do personagem no cinema, e ainda que relativamente interessante, o Godzilla de 2014 é apenas mais um filme.

Assista ao trailer de Godzilla

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