No filme Amor sem Escalas (Up in the air, 2009), o diretor Jason Reitman levou às telas a história de um personagem cuja solidão, se antes era um peso, acaba se tornando uma questão de sobrevivência, ou de blindagem a feridas que poderiam ser abertas com a presença do outro. Mas após a comédia escrachada Jovens Adultos (Young Adult, 2011), o diretor dá uma nova roupagem à solidão em Refém da Paixão (Labor Day, 2013).

Frank (Josh Brolin) é um fugitivo da prisão que um dia aborda Henry (na adolescência, interpretado por Gattlin Griffith, mas no final, já adulto, por Tobey Maguire) enquanto o garoto fazia as compras com sua mãe, Adele (Kate Winslet). Mãe e filho são levados a abrigar o fugitivo, mas e se a situação, inicialmente, aparentaria ser quase inverossímil, saber que aquela ida ao mercado é mensal e é a única forma que Adele encontra para ainda estar conectada ao mundo revela, ao mesmo tempo, o tamanho da sua dor e como ela se identifica com o desespero de Frank, sem maiores explicações.

Enquanto acompanhamos a criação dessa “família de cinco dias”(como o próprio Frank define, ao final de Refém da Paixão), cenas de flashbacks tentam explicar por que aquele fugitivo está ali. Ao mesmo tempo, alguns objetos ocultos na casa de Adele e Henry explicam por que a mãe do garoto sofre de tremores incontroláveis nas mãos que não foram adquiridos pela perda do marido, mas pela perda do fato de ser amada por alguém.

A narrativa de Refém da Paixão é quase toda linear, não há aberturas para uma direção mais autoral, mas alguns elementos do roteiro, como os flashbacks e a demora para explicar os problemas de Adele (mesmo quando desde muito antes eles comecem a causar curiosidade) são interessantes, pois embora apareçam são elementos secundários ao verdadeiro acontecimento do filme: o reencontro com Adele com a sua existência. E sabemos disso graças à excelente interpretação de Kate Winslet, quando por ela sabemos que a perda da conexão com um ente, seja o marido, seja uma criança, foi o suficiente para que a mãe de Henry não se sentisse no direito de existir para o mundo exterior.

Mas após Frank, tudo é e será resgatado no percurso dos três, inclusive a torta de pêssego que é feita naquele feriado, e depois é o elo fundamental para que Henry resgate sua história. Afinal, são pessoas em busca de elos, de fios que deem algum sentido para que continuem seguindo contra a correnteza. É a solidão que foi usada para abrir velhas feridas, para que dessa vez elas sejam cicatrizadas de uma maneira mais eficaz e menos dolorosa.

Assista ao trailer de Refém da Paixão

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