Em 2010 o diretor Daniel Ribeiro lançou o curta “Eu não quero voltar sozinho”, que acabou virando um hit na internet principalmente por sua leveza ao tratar de dois assuntos que geralmente recebem um tom mais pesado quando são abordados no cinema, a cegueira e a homossexualidade, mais do que isso, um curta que trata de sentimentos bastante comuns na adolescência, causando grande identificação do público. O desenvolvimento um tanto apressado do curta quase que pedia para que a história se alongasse e se aprofundasse naqueles personagens e suas histórias. O desejo da legião de fãs que o curta acabou ganhando se tornou realidade e o diretor conseguiu financiamento para transformar a história no longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Há os prós e os contras desta adaptação. Para o lado bom, podemos citar que muito do aprofundamento do filme e dos personagens foi muito bem aproveitado, dando mais vida e verdade a eles, além de nos presentear com belas cenas, como a que se passa em um cinema ou então a do pesadelo do protagonista que, mais do que belas construções visuais, contribuem bastante para melhor nos aproximarmos do protagonista.

Em contraponto a isto, o alongamento da história também enfatiza uma deficiência principalmente na direção de atores. Enquanto o texto se esforça para impor uma naturalidade aos jovens por meio de expressões e gírias, nem sempre esta mesma naturalidade é alcançada, o que se torna incomodo em alguns momentos de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Além de algumas escolhas descabidas na construção de personagens como o da mãe por exemplo, que soa por demais caricata em sua repetitiva super-proteção ao garoto.

Tais defeitos porém não são cruciais para o bom andamento de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que se revela um bom filme e tem seu maior trunfo na coragem de impor sua personalidade como cinema de gênero, coisa rara no país, mas que vem mostrando a cara nos últimos tempos.

Diferente de pastelões novelescos da Globo Filmes ou de filmes de autor que acabam ficando restritos apenas a festivais e um circuito bastante limitado, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho soa como uma lufada de esperança no mercado nacional propondo um cinema de qualidade e com poder de alcance de público considerável. Que sirva de exemplo para mostrar que o cinema pode sim fazer cinema de gênero.

Assista ao trailer de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

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