PROGRAMAS ESPECIAIS – Festival É Tudo Verdade

Batalha pelo Rio – É Tudo Verdade

O diretor uruguaio Gonzalo Arijón acompanhou o processo de implantação de algumas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) durante os últimos anos no Rio de Janeiro. Uma pesquisa necessária ao dar voz a população diretamente ligada ao impacto que essa medida de segurança teve em comunidades, antes dominadas pelo narcotráfico. A pacificação transfere a gestão do espaço para o Estado e os impactos sociais e urbanísticos são constantemente discutidos pelas comunidades. Os moradores apontam a mudança do custo de vida com a chegada de impostos do Estado e cobranças de empresas, fato que faz alguns sentirem saudade da época em que os traficantes dominavam os morros.

“Se temos  a possibilidade de viver em um paraíso, por que construir o inferno”? Tal questionamento guia Gonzalo que além de entrevistar moradores e policiais apresenta o trabalho do AfroReggae, ONG com uma importante atuação nas favelas do Rio de Janeiro. Destaque para a fala de uma moradora que resiste em sua casa, após insistentes tentativas de remoção para a construção de um teleférico no espaço em que reside. O perigo da elitização ronda diversas favelas do Rio e A Batalha pelo Rio torna-se um ótimo documento de análise dessas mudanças com uma série de impactos até então desconhecidos pela nossa sociedade.

COMPETIÇÃO BRASILEIRA DE MÉDIA E LONGAS-METRAGENS – Festival É Tudo Verdade

O Mercado de Notícias – É Tudo Verdade

Tendo como base a peça “O Mercado de Notícias” do dramaturgo Ben Jonson, o novo filme de Jorge Furtado brinca com a estrutura  audiovisual ao mesclar ficção e documentário, cinema e teatro. Trata-se de uma obra que permeia passado, presente e o futuro da atividade jornalística no Brasil, refletindo sobre uma profissão que em 99,9% das vezes atende interesses pessoais ou mercadológicos. No Brasil, alguns veículos de comunicação ainda resistem na tese da neutralidade e isenção dos fatos, algo impossível na configuração atual do “mercado”. Furtado escolhe a dedo jornalistas que admira para desenvolver uma reflexão necessária do papel e atuação da mídia brasileira.

Destaque para o evento no qual José Serra é atingido por uma bolinha de papel na campanha eleitoral de 2010. Furtado disseca o fato por diversos ângulos, o que só confirma o quanto alguns veículos produzem notícias tendenciosas. Outro fato analisado é o de um suposto quadro do espanhol Pablo Picasso no escritório do INSS, notícia cômica se não fosse trágica pela forma como foi tratada. O documentário traz reflexões necessárias em um momento no qual a mídia assume um papel perigoso com a aproximação de grandes eventos esportivos e das eleições.

Anúncios