Chegando cinco meses “atrasado” aos cinema brasileiros, Até o Fim conta a história de um homem em um barco, pairando em alto mar e com os mantimentos se esgotando. Nos Estados Unidos, o longa estreou na mesma época de “Gravidade”. Os filmes têm muito em comum, tratam da solidão e do instinto de sobrevivência. Seja no espaço ou perdido na imensidão do oceano o homem se vê incapaz, completamente desprezível frente às forças da natureza. É interessante notar a similaridade do tema em filmes lançados na mesma época, ainda mais considerando que ambos os filmes se destacam no cenário hollywoodiano por não serem remakes ou adaptações. É como se a tal crise dos roteiristas da indústria estivesse desembocando em um cenário de vazio existencial. Ou talvez seja apenas uma coincidência.

Até o Fim conta com pouquíssimas falas, o que contribui para o clima de solidão angustiante que propõe. Diferente de filmes como “Náufrago”, onde se cria um novo personagem, Wilson, para dar ritmo ao filme, ou até mesmo em “Gravidade” quando temos a cena do sonho, em Até o Fim não há ferramentas para deslocar a sensação do espectador. O homem está lá, sozinho em alto mar, não há mais nada. Sem dúvidas uma escolha corajosa do diretor, J. C. Chandor, e louvável.

O cinema em sua história já tratou do niilismo, do existencialismo e da solidão do homem, de formas muito mais interessantes. Uma coisa que incomoda no filme é a montagem, refém de uma indústria que quer números e não necessariamente qualidade: Até o Fim é todo picado, os planos duram apenas alguns poucos segundos, o que se justifica nas cenas de tempestade, pois contribui para a angústia delas; porém, mesmo quando o diretor filma a solidão e o vazio do oceano, não deixa as imagens respirarem, não há ritmo em alto mar, há apenas o tédio.

Não se pode falar sobre Até o Fim sem citar a atuação de Robert Redford. Presente em grandes clássicos, o ator, agora com quase 80 anos, vinha participando de produções menores em papéis sem tanta importância nos últimos anos. O espaço que lhe é dado é muito bem aproveitado por ele que comprova, mais uma vez (embora isto já nem fosse necessário), sua qualidade como ator.

Até o Fim vale a sessão por se destacar no cenário geral do mercado cinematográfico, e inclusive assisti-lo no cinema é quase essencial para uma experiência digna, mas não deve permanecer na memória da maioria por muito tempo.

Assista ao trailer de Até o Fim

Anúncios