Na última edição do Oscar percebemos como certos filmes podem ficar à margem da premiação, de acordo com os interesses da Academia e dos membros que dela fazem parte. É o caso de Vidas ao Vento de Hayao Miyazaki, diretor já consagrado e premiado por A Viagem de Chihiro. O fato de já ter sido premiado anteriormente não deveria influir no julgamento, porém é o que parece ter acontecido novamente. O último filme de Miyazaki é uma aula de animação, mesmo que não supere suas melhores obras.

Vidas ao Vento apresenta a história de Jiro Horikoshi, designer que projetou aviões de combate japoneses que seriam utilizados durante a Segunda Guerra Mundial. A base do filme é a paixão de Jiro pela aviação. Impossibilitado de pilotar as máquinas, ele decide estudar para criá-las. O Japão aparece com certo atraso econômico e tecnológico. Nação dependente do esforço e criatividade de seu povo, castigado pelos terremotos e que aprende a se reconstruir com grande rapidez.

A animação flui paulatinamente pela vida e sonhos de Jiro, o ar poético esconde uma tragédia conhecida, a guerra está prestes a eclodir e a aviação terá papel importante durante os combates. A paixão de Jiro é dividida entre Nahoko e os aviões, peças com difícil engate. Apesar de em certos momentos abusar de aspectos técnicos dos modelos em construção, o filme se desenvolve de forma muito interessante sob o olhar inebriado de Jiro.

Miyazaki eleva a animação ao conceito de Arte, seus desenhos são incríveis pinturas em movimento. Com traços perfeitos aliado à sensibilidade das histórias e roteiros que desenvolve é uma grande referência na área de animação. É com pesar que todos os fãs receberam a notícia de sua aposentadoria após a conclusão de Vidas ao Vento. Esperamos que Miyazaki reconsidere sua decisão, para sermos premiados com novas obras, mesmo que a Academia Americana prefira distribuir suas estatuetas ao vento.

Assista ao trailer de Vidas ao Vento

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