Em Ajuste de Contas, quando anunciam uma luta entre dois senhores de 60 anos a reação inicial é de rir, bem alto, e se certificar de que as pessoas envolvidas estão em sã consciência. Enquanto isso, no mercado cinematográfico, quando se recebe a notícia de que irão fazer um filme de boxe com dois atores sessentões, a reação não é tão diferente. O que muda no segundo caso é que, como filme, não importa se é uma piada, afinal boas piadas funcionam.

É a partir disso que Ajuste de Contas se desenvolve. O argumento cômico coloca dois “machões” clássicos da história do cinema, agora já senhores, em uma situação pouco comum para velhinhos com a idade deles, com isso vem junto um leque de piadas, seja sobre o condicionamento físico deles ou sobre a falta de conhecimento sobre tecnologia. Essa parte do filme funciona muito bem, e a comédia despretensiosa cumpre o que promete e diverte os espectadores.

A questão é que uma trama precisa de um bom desenvolvimento, e um recheio de subtramas para se manter interessante durante suas quase duas horas de projeção, e é aí que Ajuste de Contas peca. Abusando das fórmulas já utilizadas e reutilizadas, no seu nível mais básico, o filme recorre a soluções fáceis para o roteiro, utilizando de explicações rasas sobre a maior parte das situações, mantendo um esforço durante todo o filme para que tudo se encaixe, seja de maneira forçada ou não, para que as coisas funcionem como o esperado no final. Todos os conflitos do filme parecem ser resolvidos na cena seguinte à que foram criados.

Adiciona-se a isso o fato de usar e abusar do velho formato de filmes de esporte, onde sabemos que haverá um clímax final onde o personagem mais bonzinho deve enfrentar o outro e se dar bem, depois de cenas e mais cenas de montagens repetitivas de treinamento. Há de se observar que Ajuste de Contas se esforça para não ser maniqueísta e pintar o bem e o mal, talvez para tentar despistar e deixar o final menos óbvio, porém, ao mesmo tempo, parece não querer se arriscar demais nesta empreitada, fazendo com que tal esforço seja em vão.

No fim das contas, serve como um bom filme de Sessão da Tarde, que faz rir não só pelas piadas, aliás esperem pelos créditos (duas vezes), mas também pela risível atuação de Robert De Niro lutando boxe. Ajuste de Contas não se esforça o suficiente para ser nada mais do que isso. Mas quem é que não gosta de uma comédia despretensiosa de vez em quando?

Assista ao trailer de Ajuste de Contas

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