É difícil desgrudar os olhos e parar de acompanhar a carreira de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) em O Lobo de Wall Street. Toda ostentação e falta de escrúpulos do personagem agitaram os bastidores de um mercado que move bilhões por ano, e não estamos falando da indústria do entretenimento. Há mais dinheiro em Wall Street do que se possa contar, e os corretores de ações estão atentos às possíveis vendas e comissões. Jordan aparece inicialmente como um mero funcionário, disposto a aprender com Mark Hanna (Matthew McConaughey) as principais técnicas para o sucesso na profissão. Em uma das melhores cenas de O Lobo de Wall Street, Mark aconselha o prematuro Jordan como agir perante o mercado, não se trata mais de dividir o lucro com os clientes, mas de extorqui-los e garantir uma gorda comissão.

Não há tempo de colocar os ensinamentos em ação, com a quebra da bolsa e a crise, o ainda inexperiente Jordan perde o emprego, indo parar em uma empresa menor onde negociava ações que valiam centavos de dólar. Capaz de vender lentes de contato para cegos, o corretor se destaca ao abrir o próprio negócio. A partir de então, crescem a montanha de dinheiro e a ilegalidade na carreira de Jordan, um viciado em Sexo, Drogas e Dinheiro. Scorsese constrói O Lobo de Wall Street baseado na carreira de um personagem que atinge altos e baixos, assim como o fizera em Cassino e outras produções. Mas há algo de especial em Jordan Belfort, que se diverte e desfruta de sua riqueza como poucos, há inclusive ousadia  na forma como encara o espectador, dialogando diretamente para a câmera, tornando-se mestre de quem antes fora discípulo.

Qualquer fã da obra de Scorsese consegue perceber similaridades entre os diversos trabalhos do diretor, mas é curioso notar que se Robert De Niro e Joe Pesci fossem mais jovens, provavelmente, ganhariam os papéis de Jordan Belfort e de Donnie Azoff (Jonah Hill), respectivamente. O entrosamento de DiCaprio e Hill lembrou os filmes onde o trabalho de Martin como diretor é primoroso. As hipérboles em O Lobo de Wall Street apontam como o jogo na bolsa de valores é nefasto ao empobrecer muitos e enriquecer poucos. Nesse caso, não se trata de exaltar o consumismo e o uso de drogas, mas de confirmar seu abuso desenfreado pela sociedade.

A intensidade de O Lobo de Wall Street destaca também a edição que usa diferentes linguagens de maneira efetiva, transitando entre a TV e o cinema, apesar de perder fôlego na última parte. Méritos de Thelma Schoonmaker, antiga colaboradora nas montagens das obras de Scorsese. Tecnicamente temos um filme muito bom, que mostra um diretor desafiador, mesmo que preso às bases que o consagraram. São 3 horas nada cansativas, que contam com uma trilha sonora bem diversificada.

Levar tal tema aos cinemas e escrachá-lo não deve agradar aos tubarões de Wall Street, mas com certeza divertirá as sardinhas presas nessa rede. Por fim, a ganância de Jordan esbarra no FBI e seu sistema baseado em vícios entra em colapso. A diversão chega ao fim, mesmo que a essência permaneça, outros corretores estão prontos para assumir o cargo e vender o melhor que a América tem a oferecer: Sonhos e Ilusões.

Assista ao trailer de O Lobo de Wall Street

The Wolf of Wall Street

It is difficult to keep your eyes off and stop following Jordan Belfort´s career (Leonardo DiCaprio) in The Wolf of Wall Street. All the ostentation and lack of scruples of the character excited the backstage of a market that puts in motion billions per year, and we are not talking about the entertainment industry. There´s more money in Wall Street than can be counted and the stock brokers are aware of the possible sales and commissions. Jordan appears initially as a mere employee, willing to learn with Mark Hanna (Matthew McConaughey) the main techniques to be successful in the profession. In one of the best scenes in The Wolf of Wall Street, Mark advises the premature Jordan to act before the market, it isn´t a matter of sharing profits with clients, but extorting them and ensuring a fat commission.

There´s no time to put the teachings into action, with the crash of the Stock Exchange and the crisis, the inexperienced Jordan loses his job,  ending up in a smaller company that negotiated penny stocks. Capable of selling contact lenses to the blind, the stockbroker stands out when he opens his own business. After that, the hills of money and illegality grow in Jordan´s career, an addict to Sex, Drugs and Money. Scorsese builds his film based on the career of a character with ups and downs, like the ones he had portrayed in Casino and other productions. But there´s something special about Jordan Belfort, who amuses himself and enjoys his wealth as few, being bold as to face the spectator, dialoguing directly to the camera, becoming a master of whom he once was a disciple.

Any fan of Scorsese´s work will notice similarities among many of his films, but it is curious to realize that if Robert De Niro and Joe Pesci were younger, they would probably play the roles of Jordan Belfort and Donnie Azoff (Jonah Hill), respectively. DiCaprio and Hill´s engagement reminded the films where Martin´s work as director is exquisite. The hyperboles in The Wolf of Wall Street point out how gambling in the stock market is disastrous when many get poor and a few get rich. In this case, it isn´t a matter of praising consumerism and drug use, but confirming their rampant use in society.

The intensity of the film also highlights its editing, which uses different languages in an effective way, moving between TV and cinema, despite the loss of momentum in the last part. Merits of Thelma Schoonmaker, an old collaborator in the montage of Scorsese´s work. Technically, we have a very good film, with a challenging director, even though he´s stuck to the bases that made him famous. These are non-tiring 3 hours, with a really varied soundtrack.

Taking this theme to the movies and making fun of it must not have been fun to the sharks of Wall Street, but it will definitely amuse the sardines stuck in the net. Finally, Jordan´s greed bumps into FBI and his system based on addictions collapses. Fun gets to an end, even if the essence remains, other stockbrokers are ready to take the lead and sell the best thing America has to offer: Dreams and Illusions.

Translated by: Patricia Iglesias

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