Gravidade. O filme superestimado do ano. Há um grande investimento tecnológico na película de Alfonso Cuarón, entre o espetáculo de efeitos visuais e sonoros emerge um roteiro fraco, recheado de clichês, e que encerra a trama em um lugar comum, o final não poderia ser mais previsível. Baseado em um acidente espacial, o filme apresenta três astronautas que fazem a manutenção do telescópio Hubble. A descontração e a quebra de protocolo dos mesmos é acompanhada por um acidente, o desastre talvez seja a melhor parte do filme. Porém o que antecede a cena gera o questionamento: Qual astronauta brincaria tanto em pleno espaço com a conivência de uma agência espacial que emprega milhões de dólares em uma missão?

No filme George Clooney posa de galã e especialista, confiante ao gastar o combustível de seu propulsor, e carregar o discurso com brincadeiras vazias ao som de Hank Williams. Do outro lado a seriedade da personagem de Sandra Bullock, responsável pela manutenção do telescópio e que coloca todos em risco ao não obedecer uma ordem direta de seu superior. No terceiro plano um astronauta gargalha e pouco contribui ao filme além de servir de pêndulo do desastre. Com personagens tão rasos, outra peça fundamental se destaca: o ambiente. O espaço traz a tensão necessária ao filme, a ausência de gravidade deveria ser acompanhada por lentidão, mas o acidente provoca uma aceleração necessária à obra.

Trabalhando sob a perspectiva da sobrevivência, o ambiente é o único elemento que difere esse filme de outros com a mesma temática. É preciso resistir para sobreviver e uma astronauta com apenas 6 meses de treinamento é capaz de acionar e pilotar um módulo chinês, mesmo desconhecendo algo básico como a linguagem. Além dos erros grosseiros de roteiro, a catástrofe de Alfonso Cuarón vai perdendo fôlego à medida que percebemos no que tal jornada resultará. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber isso. Pouco levamos além de cenas digitais, a edição do filme exagera nas investidas da trilha-sonora que rasga as principais cenas onde há tensão. O silêncio aparece menos que o habitual, principalmente pela condição física básica, a propagação sonora no espaço só é possível através de ondas eletromagnéticas.

Ao final da projeção sobram questionamentos, o espetáculo audiovisual de Cuarón perde feio pra outros filmes que utilizam o espaço como ambiente. Um bom exemplar é Lunar (Moon, Duncan Jones), um filme onde o principal investimento está no roteiro e na boa atuação de Sam Rockwell. Talvez o investimento na história tenha ficado em segundo plano, é como construir um foguete e enviá-lo ao espaço sem qualquer conteúdo. O filme de Alfonso Cuarón chegou ao espaço mas seu roteiro saiu totalmente de órbita.

Assista ao trailer de Gravidade

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