3x3D (3x3D), Peter Greenaway, Edgar Pêra, Jean Luc Godard, 2013 – Excluindo trabalhos singulares, e interessantíssimos diga-se de passagem, de Herzog e Win Wenders, o 3D praticamente só é utilizado em blockbusters. Sendo porém uma nova ferramenta para linguagem, gera-se a ansiedade sobre qual usos cineastas que costumam brincar com a linguagem podem dar a ela.
Peter Greenaway é o primeiro a mostrar suas experiências visuais, provavelmente o melhor uso do 3D dos  três curtas, apresenta a história da cidade de Guimarães em Portugal em um grande plano sequencia, fazendo lembrar Arca Russa de Sokurov. O visual que não economiza no cgi é deslumbrante. Destaque para algumas brincadeiras com luz e faíscas, e de jogos com texturas, como numa cena onde “entramos” em um cenário 3D que parece ter sido feito em pontilhismo, e que se desfaz como um castelo de areia.
Já o curta de Pêra traz uma reflexão, de forma satírica, das várias tecnologias que adentraram o mundo do cinema, fazendo  por exemplo, uma homenagem a “O cantor de Jazz”, primeiro filme falado da história. O uso da nova ferramente neste curta é um tanto quanto incômodo, muitas vezes imagens sobrepostas são utilizadas gerando resultados um tanto quanto confusos visualmente.
Por último, provavelmente o mais esperado, Godard apresenta mais uma de suas colagens audiovisuais. Promovendo uma gama de reflexões por minuto, Godard chega a colocar na tela, ironicamente, é claro, fotos de John Ford e Nicholas Ray, dois grandes diretores da história do cinema que utilizavam um tapa-olho, portanto enxergavam naturalmente em 2D. Entretanto, o uso do 3D no curta francês fica aquém do esperado, apesar de imagens intrigantes que num primeiro momento parecem ser apenas duas câmeras voltadas para a platéia, e pouco depois percebemos ser um jogo de espelhos, conferindo uma interessante experiência para a nova tecnologia.
O filme deve entrar em cartaz no Cinesesc no dia 27/12, oportunidade imperdível, posto que dificilmente haverá outra oportunidade de ver o filme com os óculos 3D para a grande maioria das pessoas.

Ilo Ilo (Ilo Ilo), Anthony Chen, 2013 – Vencedor da Camera D’Or de melhor filme de diretor estreante no festival de Cannes, Ilo Ilo vai ganhando o espectador aos poucos. O desenvolvimento se dá por meio de sutilezas, podendo enganar com sua aparente simplicidade, porém tem discurso volumoso que aborda uma variedade de temas como a relação patrão-empregado, as dificuldades da classe média baixa em um país em crise, a educação infantil em Cingapura, e a questão dos imigrantes por lá.
Com boas interpretações e uma sutil pitada de humor, o filme se mostra bastante competente tanto em sua apresentação como em conteúdo e consegue alcançar a universalidade com seus temas, discursos e críticas.

Círculos (Krugovi), Srdan Glolubovic, 2012 – Representante sérvio para o Oscar, Círculos é um filme bastante denso, que a partir de uma situação de conflito gera uma cadeia de consequências para os personagens da ação, e outros diretamente ligados a estes, que os acompanharão durantes anos após o acontecido.
Intercalando closes com belos planos abertos que misturam o árido da paisagem com o colorido das roupas dos personagens, o filme coloca seus personagens, sempre muito fortes na trama, em situações limite onde a moral e a dignidade de cada um será posta a prova.
Filme duro com direção segura, um dos destaques da Mostra até agora.

El Gran Circo Pobre de Timoteo (El Gran Circo Pobre de Timoteo), Lorena Giachino, 2013 – Quem frequentou circo na vida, destes mambembes, não os espetáculos como Cirque du Soleil, sabe que a realidade circense é paradoxal. Enquanto durante o espetáculo há uma explosão de cores e emoções, os bastidores sempre parecem frios, pobres e tristes.
El Gran Circo Pobre de Timoteo acompanha, com câmera que tenta ser invisível á ação, um circo chileno de mais de 40 anos de história, formado em sua maioria por cross-dressers. É justamente nesta melancolia dos bastidores que a câmera fixa seu olhar, com planos que exalam um sentimento depressivo. O sentimento fica ainda mais evidenciado quando percebemos que além de os negócios já não irem tão bem quanto outrora, o circo está para fechar suas portas devido à um problema de saúde de seu dono.
O documentário frusta um pouco por não se aprofundar em mais nada além deste sentimento de melancolia, tonando-se repetitivo e cansativo, mesmo tendo menos de 80 minutos. Fica a sensação de que poderia ter sido melhor aproveitado.

Whitewash (Whitewash), Emanuel Hoss-Desmarais, 2013 –  O filme começa com uma morte pouco comum, um homem é atropelado por um trator de neve, seu carrasco, Bruce, esconde o corpo e parte em direção à floresta coberta de neve, acaba batendo o trator em uma árvore e por lá decide ficar. Whitewash é daqueles filmes com apenas um personagem praticamente, vivendo sozinho na natureza gelada do Canadá. Thomas Haden Church dá a Bruce uma interpretação espetacular, desde o começo o espectador nota que ele tem suas excentricidades, e não são poucas.
Com a ferramenta do flashback, vamos conhecendo a história de Bruce e de Paul, o atropelado. A cada flashback mudamos o modo de olhar para Bruce e para o acidente, tornamo-nos cúmplices de toda a história pouco a pouco.
Sabendo conduzir bem a história presente e a passada, o diretor nos conduz à mente de Bruce para compreendermos, pelo menos parte, daquela excentricidade toda.

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