Inside Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis), Ethan e Joel Coen, 2013 – Fazer rir sempre foi das coisas mais difíceis, fazer isto sem apelas para piadas escrachadas e ofensivas é ainda mais raro. Os irmãos Coen, porém, mostram mais uma vez que sabem utilizar o humor de maneira inteligente e bastante eficiente.
Se “Fargo” é uma comédia de erros, “Inside Llewyn Davis” é uma comédia sobre o pessimismo. Baseando na história real de um cantor folk que, apesar de ter sido peça chave em sua geração e de ter boas canções em seu repertório, não conseguiu gravar seu nome na história da música como Bob Dylan, contemporâneo dele.
Dividindo a força do filme entre todas as coisas que dão erradas com o personagem principal e ótimos personagens secundários, um empresário drogado e extremamente irritante interpretado por John Goodman sendo um dos destaques, o filme foi das melhores opções da Mostra de São Paulo. Deve entrar em cartaz em breve, vale a conferida.

O Peso dos Elefantes (The Weight of The Elephants), Daniel Joseph Borgman, 2013 – Fazer um filme sobre crianças, não infantil, não é tarefa fácil. Desvendar o que se passa na cabeça delas e tornar os personagens verossímeis  são alguns dos desafios que os diretores que se arriscam na área se sujeitam. Um dos trunfos deste filme é justamente conseguir captar a essa essência da infância e passar isso através de diálogos bem construídos e uma boa direção de atores.
O garoto protagonista é ótimo e passa verdade em suas emoções, pesadas, regadas pelo abandono, que é o tema central do filme. Várias dificuldades de uma criança, desde provocações na escola até a compreensão dos diversos obstáculos, muitas vezes injustos, da vida , são mostradas de forma ligeiramente melancólica, sentimento que é também evidenciado pelos cenários, parquinhos com brinquedos enferrujados, terrenos abandonados, parece faltar cuidado em tudo por ali.
O diretor não se arrisca da linguagem utilizada no filme, fazendo um filme linear e bem pé chão, com poucas cenas que se sobressaem. Porém é muito bem executado em sua proposta.

O Foguete (The Rocket), Kim Mordaunt, 2013 – O concorrente australiano ao Oscar também trata do tema infância. Ahlo é um garoto que acredita ter nascido com má sorte devido à crenças tradicionais de seu povo. O fato de tratar deste e outros valores regionais confere um bom tempero ao longa que é bem leve, apesar de uma ou duas cenas destoarem disso, e carrega consigo um clima de sessão da tarde, num bom sentido.
Um dos destaques do filme fica com o personagem “Tio Roxo”, que é responsável pelo papel de “velho sábio” no desenvolvimento da história. Personificação australiana de James Brown, concede uma boa pitada de humor non-sense, incluindo uma boa cena de perseguição com o Rei do Soul tocando.
O filme não deve figurar entre os cinco finalistas da competição americana, mas vale uma sessão despretensiosa.

Dendrologium (Dendrologium), Amin Azam, Rafael Stemplewski, 2013 – Filmes sobre um passado medieval, outrora bastante presentes no cinema com diretores como Ingmar Bergman, Frantisek Vlácil e até mesmo, pendendo para a comédia, o pessoal do Monty Python, hoje em dia só tem lugar no cinema dito mainstream. Talvez pelos grandes gastos necessários para uma produção do tipo ou por um afastamento dos diretores atuais de cenários mais arcaicos, estes filmes infelizmente perderam espaço no mercado alternativo de cinema. Digo infelizmente porque os diretores citados, entre outros, nos presentearam com belas obras que foram buscar em tempos passados questões existenciais que acompanham o homem até hoje.
Um dos méritos de Dendrologium é justamente se arriscar por este tema que andava um pouco esquecido, e também com a intenção de compreender o sentido da vida através de metáforas. A pena é que talvez o filme não tenha mais nenhum mérito além deste.
Com aparente influência dos universos de jogos de RPG, o filme conta uma história repetitiva, de um homem que ao buscar o sentido da vida, perpassa por diversos obstáculos e seres que o guiam para o caminho certo ou errado. Com filosofia e discursos superficiais, por vezes até bobos, conseguiu que boa parte da platéia se retirasse do cinema. Ao final do filme, uma possível resposta, ao menos para as questões de quem ainda estava ali e queria entender a razão daquele filme. O roteiro, assim como as pesquisas para fazê-lo haviam sido feito em um espaço de tempo de apenas um mês, o que claramente foi pouco tempo, visto o resultado. Fiquemos na torcida para que o gênero venha um dia novamente trazer filmes interessantes e engrandecedores. Desta vez não deu.

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