A Garota do 14 de Julho (França, 2013, Antonin Peretjatko) – É um filme muito francês nas referências, mas pouco francês no estilo. Basicamente, é a história sobre o verão, com direito a férias com amigos e amores, mas de uma maneira bem divertida e distorcida. É bem leve, como deveria ser, e tem gags ótimas (a referência a Kafka é FANTÁSTICA). Mas como nem tudo são flores, algumas cenas são horrorosas. E muitas referências só funcionam caso haja conhecimento prévio da história e cultura francesa. As atuações estão longe do excepcional, mas funcionam para o que é proposto. Eu achei um filme ok, mas teve gente que adorou. Só o Dr. Placenta que é simplesmente sensacional ❤

Uma Dobra no Meu Cobertor (Geórgia, 2013, Zaza Rusadze) – Eu poderia escrever alguma crítica se eu entendesse qual é o propósito do filme. Pena que isso não aconteceu. Talvez se eu soubesse alguma coisa sobre a Geórgia e como são as perspectivas dos cidadãos quanto ao futuro eu teria apreciado mais o filme. Porém, como não foi o caso, fiquei boiando. Pena.

A Primeira Vez de Eva Van End (Holanda, 2012, Michiel ten Horn) – Eu gostei bastante deste filme, achei bem feito e com boas sacadas. O ator que faz o alemãozinho é péssimo, mas é compensado pelas outras atuações. Eu amei a história do pai, achei muito bem pensado. O Fernando disse que era uma cópia mal feita de Teorema, mas como eu a) não assisti Teorema e b) estou cansada de filmes ruins sobre famílias disfuncionais, saí bem satisfeita da sessão. Nem o happy ending meio torto estragou o role.

Manakamana (Nepal/EUA, 2013, Stephanie Spray e Pacho Velez)  – Gente, eu preciso falar. Poxa, eu tava NA PIRA pra ver Bwakaw. Um filme com velhinho de 70 anos saindo do armário + cachorro não só não tem como dar errado, como também tem grandes chances de ser coroado príncipe do meu coração mostreiro. E a caríssima Mostra, além de avisar em cima da hora que a sessão mudou, colocou o tal Manakamana. E veja bem, não que seja ruim. Pode ser entediante, mas ruim não. Só que, poxa, custava colocar uma comédia? Um romance, pelo menos? Sério que tem que substituir Bwakaw sobre nepaleses subindo pelo teleférico até o templo da deusa homônima?  O filme é dividido em vários segmentos, focalizando diferentes peregrinos; alguns não tinham nenhuma fala, outros tinham conversas que, vejam só, até tinham algum nexo. Até que começou o segmento das cabras…e eu tive que jogar a toalha.

O Grande Golpe (EUA, 1956, Stanley Kubrick) – Acho desnecessário falar muito, é um filme excelente do Kubrick, como praticamente todos os outros.

A Fuller Life (EUA, 2013, Samantha Fuller) – É um documentário muito interessante sobre o Sam Fuller, diretor que só conheço nominalmente. A história da vida dele é fantástica: começou como entregador de jornal, tornou-se repórter de crimes ainda adolescente, foi soldado na Segunda Guerra e virou diretor pra que não alterassem seus roteiros. O doc é baseado completamente nas memórias dele, e cada ator narra um capítulo. Achei super legal, tanto a estrutura do doc como o próprio Fuller. E amei o Wim Wenders narrando, um lindo.

Paradjanov (Ucrânia/França/Geórgia/Armênia, 2013, Serge Avedikian e Olena Fetisova) –  Um filme feito sobre a vida do diretor armênio Sergey Paradjanov bem feitinho e agradável. Apesar de ter gostado da obra, acho que uma pessoa tão excêntrica como Paradjanov deveria ter sido melhor explorada. A mistura de sonho e realidade me pareceu necessária à história, mas poderia ter sido muito mais instigante.  Resumindo, faltou tempero para retratar a vida do direto, riquíssima e que poderia ter rendido muito mais.

Demokratia, a via crúcis (Grécia, 2013, Marcos Gastin) – Esse certamente será um dos meus favoritos da Mostra. É um doc que acompanha quatro candidatos a deputados de diferentes partidos na Grécia em maio de 2012, depois que eleições gerais foram convocadas e o governo socialista foi dissolvido. Dada a profundidade da Crise que o país vive, é interessantíssimo acompanhar tanto as estratégias de campanha como os posicionamentos sobre a situação grega e as alternativas propostas para superar a situação. São marcantes não apenas as cenas do Aurora Dourado, com um discurso extremamente xenofóbico, duro e violento, mas como estes encontram ressonância e apoio na população; mesmo aqueles que votam em outros partidos culpam os imigrantes pela perda de empregos e clamam por uma “Grécia para os gregos”. Enfim, para os que gostam de política, é um prato cheio.

Anúncios