Para Aqueles em Perigo (For Those In Peril), Paul Wright, 2013 – A premissa do filme é interessante, um garoto sobrevivente de um acidente de barco onde os outros 5 passageiros morreram em um acidente e que é condenado pelos moradores de seu vilarejo como se fosse o culpado pelo acidente. A culpabilização do personagem principal faz lembrar A Caça, de Thomas Vinterberg, porém não consegue se igualar a este em qualidade. O desenvolver da trama é feito por uma montagem estranha, que dá a impressão de um diretor perdido, a linguagem usada por ele nem sempre combina com o que está sendo passado. O final entretanto é bastante interessante, porém não consegue consertar o desenvolvimento irregular.

Casadentro (Casadentro), Joanna Lombardi, 2013 – O filme peruano leva o espectador à uma viagem para a casa da avó do interior. Uma senhora, Dona Pilar, vive uma vida tranquila com suas ajudantes e a cachorra Tuna, a diretora exibe a vida desta casa assim como ela é, sem pressa, calma, aconchegante, muitas vezes apenas com uma câmera parada observando os passos lentos daquelas que ali vivem. Quando a filha de Dona Pilar chega com a neta , a bisneta e o marido, vamos conhecendo um pouco mais sobre os personagens com pequenos detalhes nos diálogos. Um filme sobre relações familiares e sobre a velhice, gostoso de se assistir. Não deve agradar quem prefere um ritmo mais acelerado.

A Praga (La Plaga), Neus Ballús, 2013 – O filme parte da fórmula de juntar personagens diferentes em um povoado espanhol que se cruzam, cada um com sua história e seus problemas para lidar. A primeira meia hora do filme nada mais faz do que apresentar os personagens principais, nada de muito interessante acontece. Depois disso o filme ganha um pouco mais de força, quando finalmente podemos nos aprofundar em alguns personagens que se mostram bastante interessantes. Talvez pelo excesso de personagens, a diretora acaba não dando atenção suficiente para cada um deles e todos acabam ficando bastante superficiais na história. O espectador fica na vontade de conhecer mais da senhora corcunda, bastante teimosa, ou  a prostituta que já não consegue mais clientes como antigamente. Uma pena.

Uma observação final, a cópia do filme estava bastante estranha, em alguns momentos parecia que um grande arquivo rmvb estava sendo projetado na tela. O mesmo vale para o filme abaixo, Manakanama.

Manakamana (Manakamana), Pacho Velez , Stephanie Spray, 2013 – Para falar sobre minha experiência sobre este filme, devo antes citar que estava pronto para assistir o filipino Bwakaw, sobre um senhor gay que vive com um cachorro, porém a sessão foi alterada e este documentário do Nepal foi exibido no lugar.

Dito isto, devo dizer que o filme é sim interessante, a proposta lembra Shirin, de Kiarostami (dadas as devidas proporções), acompanhamos os semblantes dos peregrinos que percorrem o teleférico para visitar o templo de Manakamana nas montanhas do Nepal. Desde senhoras tradicionalistas à garotos metaleiros, passando por cabras (sim, cabras), acompanhamos o trajeto e os diferentes comportamentos de cada cabine de viajantes no caminho que precede a visita ao templo sagrado.

Pego de surpresa pelo filme, sem ao menos saber sobre o que se tratava, confesso que foi um choque para mim a lentidão do filme. Mas o espectador estando preparado para a sessão, sabendo do que se trata, pode apreciar a experiência.

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