“Chevrolet Azul” é mais um da lista de filmes “baseados em fatos reais”, primeiro longa do diretor Alexandre Moors, conta a história dos ataques a tiros de Washington em 2002, pela visão dos assassinos. O caso ficou bem famoso na época por ser um assassinato em série totalmente randômico, sem padrão. O filme tenta compreender principalmente o que se passava pela mente do jovem Lee Boyd Malvo (interpretado por Tequan Richmond, o Drew de “Todo Mundo Odeia o Chris”), que hoje cumpre prisão perpétua.

Lee teve uma infância complicada e solitária em uma ilha do Caribe. Vivia apenas com sua mãe que viajava sempre à trabalho e ficava fora por longos períodos. Ele encontra John (Isaiah Washington) em uma praia e acaba indo viver com ele, os dois passam a ter uma relação de pai e filho. É dessa improvável relação que , depois de alguns anos, irão nascer os famosos crimes.

O filme tem uma boa construção, começando em um colorido caribenho e aos poucos se transformando em uma Washington soturna e sombria, onde o carro percorre espaços solitários como seus passageiros. Em uma das cenas, os dois conversam dentro do carro, em noite de chuva, e o reflexo da água que desce no para-brisa desce como lágrima dos olhos de John, lembrando uma cena muitíssimo parecida com um dos trechos finais de “A Sangue Frio” de Richard Brooks, porém sem o mesmo impacto.

O desenvolvimento (ou seria a involução) do garoto Lee é bem lapidado. “Criei um monstro!”, observa John. Esse monstro que pouco pôde compreender da vida, devido à falta de instrução e que foi encaminhado para este caminho sorumbático, hoje cumpre pena vitalícia sem direito à condicional. Imagino o que Herzog faria com este plot.

Outro filme que trata de tema parecido é “Terra de Ninguém”, estreia do diretor Terrence Malick no cinema, que também busca compreensão em uma dupla de serial killers famosa na história dos EUA. A grande diferença entre os dois filmes é que no filme de Malick o niilismo é muito mais verdadeiro, os assassinatos são cometidos sem nenhuma razão, e isso é o que mais incomoda no filme. Em “Chevrolet Azul” a busca pela falta de justificativas acaba se transformando em uma regra, preenchendo o vazio misterioso que o filme de Malick propõe.

Apesar de ser interessante, “Chevrolet Azul” peca ao abusar de uma montagem didática e redundante, que menospreza a capacidade do espectador de entender a história. Talvez isso, entre outras coisas, venha de uma insegurança da estreia do diretor em longas. Contudo é uma boa estreia e convém acompanharmos o diretor com torcida para que o amadurecimento traga filmes ainda melhores.

Assista ao trailer de Chevrolet Azul

Anúncios