O cinema belga por muitos anos foi sinônimo dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes, mostravam através de seus filmes um pouco da realidade do país para o mundo. Nos últimos anos a produção de cinema na Bélgica tem se destacado ainda mais, chegando a disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o ótimo “Bullhead” de Michaël R. Roskam. Outro diretor do país que vem se destacando é Felix Van Groeningen, diretor de “Alabama Monroe”, que está no Festival do Rio deste ano e estreia nos cinemas nacionais no dia 08/11/2013, distribuído pela Imovision.

No filme conhecemos Didier (Johan Heldenbergh), um tocador de banjo apaixonado por bluegrass e que, também por isso, sustenta uma visão romântica pela América. Além disso não consegue ter nenhum tipo de crença em religiões ou superstições. Elise, par romântico de Didier, é uma tatuadora, mulher forte e independente, interpretada por Veerle Baetens em uma atuação forte e comovente. Ambos têm uma filha juntos, Maybelle, que torna-se a coisa mais importante da vida deles, conquistando também todos as pessoas que os circundam com seu carisma infantil. A criança acaba desenvolvendo câncer e é a partir disso que a história se desenvolve.

O roteiro, baseado em uma peça de teatro escrita pelo ator protagonista, passeia entre o antes, o agora e o depois, apoiando-se em ótimas montagem e direção de arte. Apesar de no começo termos a impressão de que já vimos algo parecido antes, logo o filme começa a ganhar força e envolve o espectador em um turbilhão de emoções e reflexões. A religião, a culpa, questões sobre a vida e a morte servem de combustível para se explorar a fundo diversos sentimentos humanos, retratados na tela com muita verdade.

A trilha sonora, composta inteiramente por bluegrass, é utilizada de forma diegética, isto é, a música está presente na história, nos shows da banda onde Didier toca seu banjo e posteriormente Elise passa a ser vocalista. As canções ponteiam diversos momentos do filme e são utilizadas de maneira bastante inteligente para dar ainda mais alma à história.

“Alabama Monroe” é um filme bastante triste, mas sabe-se utilizar dessa tristeza para buscar sentido para diversas questões, entre elas alguma compreensão sobre os sentimentos e a natureza humana. Sem dúvida uma boa dica para quem está acompanhando o Festival do Rio ou para aqueles que terão a oportunidade de assisti-lo nos cinemas, em novembro próximo.

Assista ao trailer de Alabama Monroe

Anúncios