Há um bom tempo a crítica especializada não destacava um filme de terror dentre as principais produções em cartaz. Talvez seja a escassez de bons filmes do gênero, que aparecem em doses homeopáticas durante as safras de produções. O fato é que os filmes atuais de terror apelam para fórmulas onde a indução do medo perde espaço para um show de imagens horrendas que ao invés de medo causam repulsa.

Não é difícil explicar o fenômeno. Em 1979, Ridley Scott dirigiu com recurso financeiro e tecnologia limitada o amedrontador e claustrofóbico Alien, o Oitavo Passageiro. A ficção científica era bem dosada de sustos e situações que provocavam arrepios no espectador. Em 2012, o mesmo Scott dirige um frustrado prelúdio da franquia que troca os arrepios por momentos de “reflexão científica”.

Então qual a semelhança entre Alien e Invocação do Mal, produção do malaio James Wan? Nenhuma, a não ser que Wan sabe como trabalhar a indução do medo, ao enganar o espectador e levá-lo à uma direção para assustá-lo em outra. O filme sensibiliza o espectador ao intitular-se baseado em fatos reais. Tal realidade nefasta faz uma ponte e conecta o espectador que vislumbra um grande pesadelo. Outra fórmula de sucesso está na figura da igreja e do exorcismo, prática distante mas confirmada pela própria instituição católica como existente.

Nesse contexto acompanhamos a mudança de uma família americana dos anos 70 à uma casa mal-assombrada ao melhor estilo “American Horror History”. Ao deparar-se com a entidade diabólica que habita a casa, a família decide procurar ajuda e encontra um casal especialista em afastar o elemento indesejado. Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) trazem segurança à família e ao espectador ao enfrentar o que ainda desconhecemos mas que logo será revelado na história que se desenrola em ritmo perfeito de edição.

Um bom filme de terror deve preservar seus elementos principais e todos os personagens são colocados à prova, testados em suas fraquezas e crenças. O susto é bem construído e o baseamento em uma história real talvez afaste o filme de condições que sempre pensamos: “Mas eu não faria isso”, “Eu já teria saído daí correndo”. Contudo Invocação do Mal se perde em seu final feliz e aí reside nosso medo enquanto espectador. Seria o desfecho da história uma invocação de uma entidade hollywoodiana? Cuidado, esse filme pode ter sido possuído por um produtor executivo.

Assista ao trailer de Invocação do Mal

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