Terrence Malick parece ter achado sua linguagem no cinema, o estilo que começou a tomar formas mais aparentes em “Além da Linha Vermelha” e se consolidou em “A Árvore da Vida” aparentemente animou o diretor que costumava ter intervalos longos entre filmes e nos últimos anos vem produzindo incessantemente, atualmente está com três filmes já em pós-produção. Malick constrói o filme assim como a memória nos mostra as lembranças, imagens incompletas e pensamentos soltos formam um quebra cabeça que vai se mostrando aos poucos e não necessariamente precisa se completar para nos passar a essência do filme.

Depois de refletir sobre a vida, o diretor e também filósofo investiga o amor, tema recém tratado também pelo cineasta Michael Haneke, mas por outros meios. Diferente do grandioso “A Árvore da Vida”, onde o diretor vai desde os primórdios do mundo até a humanidade, representada por uma família americana, em “Amor Pleno” temos apenas alguns personagens e acompanhamos alguns momentos chave das vidas destes onde o conceito de amor vai se construindo e se desconstruindo.

Mais uma vez o diretor se utiliza de grandes nomes, Ben Affleck, Javier Bardem, Rachel McAdams e Olga Kurylenko, mas não os deixa aparecerem mais do que o filme, servem como uma espécie de marionetes que são necessárias para o diretor para nos contar a história. Afleck e Kurylenko são nos mostrados como um casal em um relacionamento onde o amor transborda, eles se mudam para os Estados Unidos, porém o relacionamento e o sentimento acabam se degradando, Afleck acaba tendo uma relação com uma ex-namorada, McAdams. O personagem de Barden é um padre que vive sozinho em meio a mazelas e que busca reencontrar o amor divino que já teve um dia.

Por meio destas relações, Malick tenta entender o amor e suas peculiaridades quando este vem de um ser humano ou quando é um amor espiritual. O filme não tem a mesma força do anterior, mas preserva uma essência similar que pode deixar o espectador “enfeitiçado” pelas imagens e reflexões ou então ser uma completa decepção para outros por sua estranheza, assim como foi “A Árvore da Vida” que dividiu opiniões em seu lançamento.

Assista ao trailer de To The Wonder

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