Em tempos onde se discutem leis de incentivo à cultura para filmes mais comerciais é bastante interessante nos lembramos de Mazzaropi. O artista foi o único a realmente alcançar o sonho de se fazer um cinema auto-sustentável no país. Obviamente ele foi favorecido pelo momento em que viveu, mas isso não diminui a valor de um homem que soube ler seu tempo e se aproveitar disso, que sabia o que o público gostava.

Celso Sabadin faz com esse documentário uma merecida homenagem a essa que é uma das principais figuras da história do cinema nacional e que, porém, nem sempre é lembrado como tal. O documentário não ousa, segue a linguagem mais usual deste tipo cinema, mas é bastante completo, contando com entrevistas de diversas pessoas próximas dele, de amigos a funcionários, com a participação do povo nas ruas, investigando o que as pessoas pensam sobre ele hoje em dia, além de uma pequena entrevista do próprio no final e claro, vários trechos memoráveis de seus filmes.

O público na sala se divertiu e se emocionou ao relembrar do personagem, ouvir histórias ou causos sobre este e refletir sobre a importância que ele teve na cultura do país na época. Alguns depoimentos são surpreendentes como, por exemplo, quando David Cardoso cita a homossexualidade de Mazzaropi, conhecida por poucos até então, outros são engraçados e emocionantes.

Uma pena notarmos que o preconceito sobre a cultura caipira segue até hoje, sendo um tema pouco explorado pela mídia em geral e quando explorado, sofre uma distorção para um lado mais pop desta cultura. Mazzaropi enfrentou o preconceito na época, retratando parte do povo que era maioria no país e que via nele um representante que além de fazer rir, representava esta classe no cinema.

O documentário deixa a reflexão sobre o cinema nacional, principalmente o comercial. Será que estão conseguindo dar ao povo o que ele quer? As comédias “populares” estão sempre em cartaz, porém ainda estão longe de se sustentar como indústria. Talvez se os personagens não vivessem em mansões e fossem mais próximos e fiéis a seus públicos, conseguissem isso. Ao menos foi assim que Mazzaropi ensinou.

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