Hitchcock. O nome é sinônimo de êxito comercial e artístico. Talvez, o melhor diretor de todos os tempos, merecidamente reconhecido como o mestre do suspense, o britânico Alfred Hitchcock não teve vida fácil em Hollywood. No filme homônimo percorremos sua luta para adaptar ao cinema a história de uma tragédia, perfeita para um filme de terror lado B, mas que dificilmente atrairia um grande público, foi através dessa percepção que o principal produtor da Paramount disse não ao diretor já acostumado as respostas positivas. Psicose, filme mais conhecido do autor saiu graças a coragem de Hitchcock em investir no próprio desejo em inovar.

Nada contribuiu para que a obra tivesse uma trajetória fácil, a começar por sua protagonista (Janet Leigh), Hitch, mestre também das loiras queria a princesa Grace Kelly para o papel, mas a musa já decidira pela aposentadoria das telas. Na mesa do diretor, obcecado pela beleza de suas protagonistas, diversas fotos, qual delas seria sua nova musa? Quem seria a escolhida a morrer logo na primeira metade do filme, vitima de um psicopata obcecado pela figura da mãe? Todas essas perguntas, respondidas pelo tempo tiveram participação importante de Alma Reville, esposa do diretor.

O filme é uma grande homenagem a Alma e sua relação com Hitch, uma figura cheia de trejeitos e manias, mas que ao final reconhece a importância da esposa na carreira e construção de suas obras. Alma não é apenas uma mulher dedicada ao marido, mas uma personagem que adiciona grande sensatez a figura do artista. Hitchcock e suas fraquezas pessoais contrapõem um diretor seguro de seus objetivos. Isso fica claro quando Alma diz não confiar no sucesso do filme mas ter certeza do sucesso do diretor ou quando o próprio Hitchcock luta contra a censura na cena do chuveiro, clímax da narrativa.

Psicose, além das dificuldades, é recheado de curiosidades como o descrédito do diretor na necessidade de trilha musical para a famosa cena do chuveiro. O trabalho memorável de Bernard Herrmann é inclusive citado como justificativa de Hitch para que a censura aprovasse o filme. “Esse vai ser um filme com uma trilha-sonora de Bernard Herrmann” como se não bastasse sua direção primorosa. Outro fator interessante está na lembrança de Vertigo (Um Corpo que Cai), o filme mais importante entre boa parte dos críticos aparece como um grande fracasso para Hitchcock.

Talvez boa parte do público e produtores não estivesse pronto a perceber que o grande diretor dificilmente erraria a mão, um gênio da técnica, o mestre do suspense também enfrentou seus desafios, assim como outros autores já consagrados. Não é de hoje que em Hollywood exista uma necessidade constante de provar a viabilidade de um projeto comercialmente, nem todos tem o poder de investir no próprio desejo. Hitch provou estar certo, “macaco velho” sabia que qualquer história em sua mão teria êxito através de sua direção psicótica.

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