Kiarostami volta e mais uma vez prova que sua linguagem, o cinema, é universal. Depois de vasta filmografia no Irã e do belíssimo “Cópia Fiel” na Itália, desta vez a história se passa no Japão. Kiarostami dá uma aula de enquadramento, escolhe seu planos com minúcia, de forma a nos contar uma história aparentemente simples com o maior rebuscamento possível. Cada cena tem suas sutilezas, tanto visualmente quando nos diálogos. A cena da avó, como é linda e triste aquela cena!

Diferente do que fez em “Cópia Fiel”, desta vez Kiarostami apenas ameaça brincar com o roteiro, de forma com que este vire um quebra cabeças com peças invertidas, o filme segue linear até seu final, ou seu “não-final”, que representa apenas o término de um certo período na vida daqueles personagens e não necessariamente de uma história.

Não é qualquer cineasta que faz um filme lento, simples com mais de duas horas e nos deixa com uma gostosa vontade de quero mais. Quero mais planos bonitos e ousados, quero mais histórias pequenas, porém especiais, quero mais destes personagens que me cativaram, quero mais Ella Fitzgerald, quero mais Kiarostami, em qualquer lugar do mundo.

Assista ao trailer de Like Someone in Love

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