Ben Affleck, ao lançar Argo, disse em entrevista que está na melhor fase de sua carreira. O ator, diretor e roteirista, começou bem sua trajetória, ganhando o Oscar de melhor roteiro por “Gênio Indomável”, depois acabou se perdendo em papéis de blockbusters que foram bastante criticados, como “O Demolidor”, por exemplo. Affleck estreou na direção de longas em 2007 com “Medo da Verdade” e, em 2010, dirigiu “Atração Perigosa”. Argo é seu terceiro longa e também o mais grandioso dele.

A direção do filme, porém, se dá de forma um tanto quanto desajeitada. O tom do filme começa bastante sóbrio, verborrágico e informativo para nos inserir no contexto da época, aos poucos a tensão suaviza-se e chega a ter pequenos picos de comédia com John Goodman e Alan Arkin. Ao final, se consolida em um drama de suspense leve.

A insegurança do diretor é bastante visível também na trilha sonora que dá ênfase à certas cenas, como se o espectador não fosse capaz de notar o que está acontecendo por conta própria. As cenas de suspense são desastrosas, talvez ele tenha assistido pouco Hitchcock quando criança, já que a fase de ouro do cinema americano para ele são as ficções científicas dos anos 70. O exagero nas cenas de suspense tenta encobrir a falha tentativa de criar tensão com o roteiro em si, cuja história é um tanto quanto interessante, aliás.

Para consolidar a falta de segurança de Affleck, ele resolve assumir o papel principal do filme. Um protagonista heróico e extremamente perspicaz. Talvez Affleck esteja querendo se dar um papel mais sério na carreira. Talvez ele devesse se contentar com o novo filme de Terrence Malick em que ele também é protagonista.

Assista ao Trailer de Argo

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