Último filme do longínquo Manoel de Oliveira, O Gebo e a Sombra é uma obra pautada na situação e no diálogo. Entusiastas de reviravoltas, movimentos e transições sofrerão com a produção, capaz de estender-se por diálogos intermináveis e situações que caberiam bem ao teatro, mas que parecem um tanto mortas para o meio cinematográfico.

Baseado no sofrimento da família de Gebo (Michael Lonsdale), um velho contador, que inesperadamente presencia o retorno do filho, o filme conta com bons nomes como Claudia Cardinale e Jeanne Moreau, a última aliás é a única que traz frescor ao filme com sua personagem intrometida. Imerso nas discussões do casal Gebo e Doroteia (Claudia Cardinale), a esposa é quem lamenta exaustivamente a ausência do filho para o marido, conformado pela vida e pela rotina de seu trabalho. João (Ricardo Trêpa) é o filho não tão bom que à casa torna, despertando curiosidade pelo tempo ausente.

A única explicação para a fuga de João parece estar na monotonia da casa dos pais, o personagem revela a falta de ar que sente, aprisionado na  imagem e rotina de seus pais. João é homem e, dentro do período histórico do filme, tem poder para procurar o novo, enquanto sua esposa Sofia, está a mercê do destino do marido ausente. O filme se desenvolve como no movimento da caneta de pena, pela qual Gebo faz o controle financeiro.

Para o espectador atento às questões técnicas, torna-se fácil contabilizar a quantidade de planos do filme, cercado de câmeras fixas e de poucas transições. O ambiente, a casa de Gebo, permanece durante toda a projeção. O olhar fixo na sala não permite explorar outros ambientes da residência. Todos os elementos de cena voltam nossa atenção para os diálogos e para a história que se desenvolve sem nenhuma surpresa.

Se a intenção era tratar a miséria e a pobreza humana, salta aos olhos a pobreza da obra cinematográfica. Ao fim, após o sacrifício do espectador, assistimos ao de Gebo pelo filho. Talvez seja a mensagem mais importante do filme, quando o velho e cansado dá lugar ao novo, inexperiente mais cheio de vida, vontade essa que faltou ao filme de Oliveira, um sonífero trágico para o espectador saudosista.

Assista o trailer de O Gebo e a Sombra

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