Frisson des Collines (Richard Roy, 2011): Um delicioso filme no melhor estilo sessão da tarde vindo do Canadá. Frisson des Collines conta a história de um garoto que sonha em ir para Woodstock conhecer Jimmy Hendrix. Os vários personagens secundários são bastante engraçados, e as cenas cômicas são bem trabalhadas. Uma cena em especial é belíssima, retratando uma perda de uma das personagens do filme.

Cine Holliúdy (Halder Gomes, 2012): O primeiro filme do gênero “brega” da história! E claro, falado em “cearês”. Halder Gomes homenageia os antigos cinemas do Ceará neste longa (adaptação de um curta homônimo dele). O longa é divertidíssimo, principalmente pelo sotaque bem forte dos personagens, inclusive sendo legendado (em cearês mesmo, mas já ajudando bastante a compreensão). O engraçado era ver a pobreza de termos da legenda em inglês que a Mostra passou, coitado do tradutor.

Era Uma Vez Eu, Verônica (Marcelo Gomes, 2012): Marcelo Gomes, depois de “Cinema, Aspirinas…” já não precisava provar mais nada. Com este novo filme ele só reitera que sabe fazer um cinema sóbrio e de qualidade. Aliás, qualidade é o que não falta nos últimos filmes vindos de Pernambuco, muito bem comentados na Mostra. Era Uma Vez Eu, Verônica, conta a história da recém formada em medicina, Verônica e de todos os problemas que a cercam. O longa é muito bom, porém sem a força de “Cinema, Aspirinas…”. A atriz é manda bem, mas não chega aos pés de João Miguel, que inclusive faz ponta no filme.

Chamada a cobrar (Anna Muylaert, 2012): Anna Muylaert já foi melhor. O filme que conta sobre uma mãe que recebe uma chamada de seqüestro falso de uma de suas filhas não se encontra em nenhum momento. O roteiro fica arrastado enquanto nada acontece e a encheção de lingüiça é extremamente fraca. O fato de apresentar personagens quase caricaturais quase sem nenhuma profundidade talvez seja o principal motivo do meu desagrado com o filme.

Além das Montanhas (Cristian Mungiu, 2012):

O cinema romeno ataca novamente. Cristian Mungiu volta às telonas com seu terceiro longa, o primeiro depois do aclamado “4 meses, 3 semanas e 2 dias”.  Desta vez a história se toma nas montanhas da Romênia, em um mosteiro, onde vive Voichita, e onde Alina, uma amiga de infância que viveu no mesmo orfanato que ela, vai encontrá-la na tentativa de retomar a amizade antiga, a qual talvez tenha sido a única verdadeira amizade de Alina.

Apesar da mudança brusca de cenário em relação ao filme anterior, Mungiu continua com seu cinema frio e minimalista. O filme de mais de duas horas não economiza nas cenas contemplativas do cenário bucólico onde o filme se passa.  Tão pouco deixa de chocar, porém desta vez de uma maneira mais sutil.

As sutilidades no roteiro (premiado em Cannes, assim como as duas atrizes), escondem vários detalhes nas entrelinhas, que recheiam o enredo do filme que mostra a briga de Alina com a igreja, para recuperar Voichita para si. Ótimo filme!

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