E vai chegando o final de outubro, época tão esperada pelos cinéfilos paulistanos e pelos que reservam esta data para serem, ao menos por alguns dias, paulistanos. A 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo se inicia no dia 19 deste mês e vai até o dia 1° de novembro (sem contar a tradicional repescagem). As notícias sobre o  festival pipocavam timidamente nas ultimas semanas, mas hoje na coletiva de imprensa e posteriormente no site do evento, foram reveladas e/ou confirmadas as principais atrações.

A primeira notícia, divulgada no final de agosto, foi a sessão de Nosferatu em cópia restaurada, com direito a orquestra no Ibirapuera para um público esperado de 12 mil pessoas. Outros clássicos confirmados para esta edição são: Tubarão, Lawrence da Arábia, Coronel Blimp, Alma Corsária, La Jetee, entre outros.

Há também as retrospectivas de Andrei Tarkovski, com toda a sua filmografia e mais um apanhando de documentários sobre ele, produções de diversos diretores, e Sergei Loznitza, incluindo seu novo filme “In The Fog”. Como complemento, o MASP abrigará uma exposição de 80 fotografias feitas por Tarkovski com uma câmera polaroide.

A lista com os filmes já confirmados também saiu hoje e conta com cerca de 350 produções, entre eles o primeiro longa de Brandon Cronenberg (filho do famoso diretor canadense), e o do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, os novos filmes de Cristian Mungiu (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), Costa-Gavras (Z), Werner Herzog (Aguirre, O Enigma de Kaspar Hauser), Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus), Thomas Vinterberg (Festa de Família), entre outros.

As presenças ilustres desse ano ficarão por conta de Abbas Kiarostami, que apresentará seu novo filme, Like Someone In Love, Claudia Cardinale, a eterna musa italiana de 8 1/2, apresentando o novo filme do incansável diretor português Manoel de Oliveira. O filho de Andrei Tarkovski também estará presente para prestigiar o evento.

Esta será a segunda Mostra que acontecerá sem a presença do fundador, Leon Cakoff, e a primeira sem a presença dele na organização. Renata de Almeida, sua esposa, que já o ajudava a décadas, agora está com toda a pressão para si. Em uma primeira vista é possível dizer que ela fez algo a altura do que Leon teria feito, para o bem ou para o mal. O nível dos filmes não desapontou, a retrospectiva Tarkovski foi uma feliz surpresa aos fãs do diretor soviético. Porém, a regra do ineditismo, que não permite que filmes do festival do Rio estejam presentes na programação, clara evidência de uma disputa entre os dois eventos, continuou. Ninguém ganha com isso. A programação ficou dividida entre os dois festivais e tanto cariocas quanto paulistas deixaram de ter a chance de ver vários filmes muito esperados por causa desta regra.

Desejemos sorte à Renata e que ela consiga levar a Mostra por muitos anos ainda, pois já tornara-se um evento obrigatório no calendário de milhares de cinéfilos. E esqueçamos as más notícias, porque há muitos filmes a serem vistos e não se sobra tempo para lamentos.
Nós do Arrotos Culturais traremos impressões e leituras de diversos filmes apresentados na Mostra. Fiquem atentos!

Anúncios