Esse texto tem caráter de protesto. Acabo de ler que em breve será lançada a refilmagem de Pusher, longa de estréia do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn. A pergunta que não quer calar – falta criatividade ou ousadia na indústria do cinema? Ambos. Tais características tem relação próxima. Melhor investir em algo de certo conhecimento ou arriscar em uma produção nova? Diversas perguntas nublam a mente do cinéfilo saudosista. Basta uma pequena lista para perceber que o processo atual vem engolindo fontes anteriores em releituras ou continuações desastrosas. Mesmo o berço da criatividade, o setor de animação, parece fadado a intermináveis continuações.

A Pixar anuncia a continuação de Monstros S.A. enquanto exibe a versão 3D de Procurando Nemo. Quem duvida do fim de A Era do Gelo ou Madagascar? Enquanto a New Line Cinema braço da Warner apresenta até o final do ano sua nova trilogia, O Hobbit, com elementos que farão os fãs de O Senhor dos Anéis comprarem mais bilhetes e souvenirs. Mesmo diretores autorais como Michael Haneke já provaram do veneno hollywoodiano. Quem não lembra de Funny Games U.S. com mesmo roteiro, mesmos planos e atores e língua diferentes?

Talvez o melhor exemplo seja o de Ridley Scott, diretor adormecido no tempo, Scott já investiu na lenda de Robin Hood antes de se aventurar em Prometheus, fraco prelúdio de Alien e ainda desafiar seus últimos fãs ao anunciar um filme baseado no clássico Blade Runner. Há dúvidas se o próximo projeto de Scott não envolverá seu Gladiador, renascido das cinzas. Mesmo o cultuado Tim Burton revisitou nos últimos tempos um clássico da literatura e uma série televisiva antes de embarcar na refilmagem de Frankenweenie.

Não bastasse os gringos e suas refilmagens, o brasileiro José Padilha foi importado para uma releitura de Robocop, filme onde o diretor enfrenta resistência da produção executiva hollywoodiana. Um dos melhores exemplos talvez seja o da franquia do agente 007, trocam-se os atores mas jamais a necessidade de combater uma ameaça. Avatar 2 ainda não foi concluído e James Cameron já fala no quarto filme em uma franquia de bilhões de dólares. Que ele não afunde o Titanic pela segunda vez, mesmo em 3D. Mercenários 1, 2 e 3 – esse é o lema dos produtores de Hollywood. Quanto menos história e quanto mais dinheiro melhor.

Quem não lembra da história que Will Smith seria o protagonista da adaptação americana de Oldboy? Altos investimentos em tecnologia e parcos nos contadores de história, os roteiristas. Importam-se roteiros de outros centros, seja o terror japonês, mistério espanhol, drama mexicano, comédia francesa. A releitura/refilmagem está mais forte do que nunca. Precisamos de um Vingador do Futuro ou O Juiz para ajudar na interrupção dessa onda repetitiva. Saudades de Scarface, filme que assisti e me orgulhei – Que releitura! Viva o Novo! Feliz Ano Velho Hollywood!

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