Daniel Kojak
Thiago Barbosa

Depois de construir primorosamente o personagem em Batman Begins e dar a ele um vilão com complexidade a altura em O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan volta para terminar o serviço e botar um ponto final na trilogia que resgatou um personagem desacreditado. O Cavaleiros das Trevas Ressurge chega para salvar Hollywood das vacas magras e o faz de maneira épica. A produção de alto custo e bilheteria é uma ótima despedida para os fãs do homem-morcego.

Como era de se esperar, Nolan volta a investir em um roteiro recheado de reviravoltas, esgotando com primor diversos efeitos dramáticos. Nessa última parte encontramos Gotham City oito anos após os acontecimentos do segundo filme. A cidade está limpa graças à lei Harvey Dent, que colocou todos os corruptos atrás das grades. Harvey é o herói cultuado pelo povo, após a renuncia do Cavaleiro das Trevas ao posto, enquanto Bruce Wayne é um recluso milionário que aos poucos perde a paixão pela vida e pelo status social que ostentava.

A calmaria acaba com a chegada de um novo vilão, Bane (Tom Hardy), que nos é apresentado em uma seqüência eletrizante no início do filme. Depois do Coringa, Nolan precisava encontrar um vilão que fosse ainda mais amedrontador e desafiador e Bane, de certa forma, cumpre os requisitos. Ao contrário do palhaço, que tinha seu ponto forte na total falta de juízo, tornando-se imprevisivelmente perigoso, o novo vilão tem como principal caraterística a força física, dispondo de numeroso exército prestes a tomar a cidade. Nesse ponto o filme cumpre uma das primeiras referências ao nosso contexto. Os rebeldes liderados por Bane lembram de certa forma aqueles que lutaram na Primavera Árabe, sedentos pela destruição de uma gestão falida. Viva La Revolución!

Bane e sua revolução gritam pelo desmoronamento de uma Gotham tão desigual quanto qualquer outra cidade. Batman luta contra o perigo da destruição que acompanha o novo vilão. O Cavaleiro das Trevas torna-se o da ordem vigente, o Estado precisa ser protegido. Sigam-me os bons! Outro assunto em pauta é fundamental para a humanidade – a energia, representado na figura de Miranda (Marion Cottilard) e o desejo pela expansão de um modelo energético limpa pela cidade. Tais temas recheiam 160 minutos de ação que voam na tela. Batman faz a trajetória de Rocky, O Lutador em seu treinamento e a do Conde de Monte Cristo na tentativa de fugir da prisão para vingar-se do seu oponente.

Tecnicamente perfeito, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é uma aula de como reunir elementos de ação e drama em uma mesma narrativa. Destaque para a trilha-sonora de Hans Zimmer elevando a la Wagner diversas cenas do filme. A parceria entre Christopher e seu irmão Jonathan Nolan tem rendido bons frutos. Ambos retomaram com vigor o blockbuster americano, vazio por filmes recheados de efeitos especiais. Agora pela metade, o segmento deve valorizar roteiros mais elaborados. O próprio Nolan fora esperto deixando o filme em aberto para futuras sequências. Gotham City respira aliviada – Até breve Cavaleiros das Trevas!

Assista ao trailer de O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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