Hitchcock é famoso por seu perfeccionismo, a busca pelo primor em um filme, dizem até que para ele os atores devem ser tratados como gado, são meros instrumentos, marionetes necessárias para a realização de um filme.

Ironicamente, ou não, em um dos seus filmes mais detalhistas ele conta a história de dois amigos propostos também a alcançar a perfeição – a do crime. Um assassinato seguido de um jantar com diversos convidados que conheciam a vítima, em uma sala onde se encontra o baú com o corpo.

Festim Diabólico é sem dúvida um filme revolucionário, não duvido que, de fato, os atores fossem tratados como gado, tamanho esmero apresentado. A idéia de construir um filme em longos planos-sequência concede a beleza e a força de uma peça de teatro. Já havia visto algumas tentativas de fazê-lo, mas sempre o preciosismo do diretor em querer provar que é capaz de realizar tal façanha acaba estragando o que poderia ser uma obra de arte.

Hitchcock talvez tenha alcançado tal patamar ou ao menos chegou muito próximo. A câmera está sempre bem posicionada e os movimentos são leves, singelos, algo que não atrapalha o ritmo, sequer o enquadramento do filme, suave com pitadas de tensão, por vezes muito bem acentuadas (a cena na qual ele usa o metrônomo para o aumento da dramaticidade é genial).

Mas será mesmo que existe a perfeição? Em 1948 não havia como esconder pequenos truques que o velho Hitch usou para tentar alcançá-la, seriam eles perdoáveis, propositais?

Creio que ambos, diretor e personagem conseguiram alcançar o resultado esperado por seus egos, cada um a sua maneira, sejam eles perfeitos ou imperfeitos.

Assista ao trailer de Festim Diabólico

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