12 Horas. Tempo no qual aproveitamos um dia, enquanto na outra metade  passamos dormindo, comendo ou engarrafados no trânsito, caso sua sorte seja a de morar em uma metrópole. Eis o último filme do brasileiro Heitor Dhalia ao migrar para o mercado americano. 12 horas, uma metade desconhecida na carreira do diretor. Dhalia ganhou boa projeção com o autoral O Cheiro do Ralo, em A Deriva contou com a participação internacional de Vincent Cassel no elenco. Dessa vez o diretor brasileiro arrumou as malas e desembarcou na terra do Tio Sam.

12 horas é um filme Corujão, obra que encontramos nas madrugadas de insônia ao zapear alguma distração na TV. Persistimos e assistimos na esperança do sono voltar, mesmo que a trama por mais simples até nos prenda no sofá. No filme, acompanhamos Jill (Amanda Seyfried), personagem problemática que desconfia que a irmã desaparecida fora raptada pela mesma pessoa que a sequestrara no passado. Poucos filmes dependem tanto de um único personagem como 12 Horas. Jill conduz toda a obra, a outra metade do elenco é composta de coadjuvantes apagados em uma uma história fraca e previsível.

Jill corre atrás da irmã e sofre com a desconfiança da polícia e dos amigos. Seguindo o modelo de quem procura acha, a personagem tem seu momento com o vilão do filme, cena monótona que carrega pouco suspense. Não há a construção de um turnpoint que surpreenda o espectador. O assassino não sai do lado que menos desconfiamos. A própria construção do vilão é fraca, não o vemos até o final. Nesse quesito o mestre do suspense Alfred Hitchcock nos deixou orfãos. Nos filmes do mestre, aprendemos que conhecer o vilão antecipadamente cria certa cumplicidade entre o espectador e a obra.

O filme tem diversos pecados técnicos. O pior reside no roteiro e na própria direção. Filme de encomenda, 12 horas tem a mão forte do produtor sem qualquer resquício autoral dos trabalhos anteriores de Dhalia. A trilha-sonora é tão fraca que pouco contribui para a atmosfera de suspense. Já a fotografia parece seguir a tendência dualista, enquanto temos um fundo colorido (o verde da floresta) tonalidades frias se destacam em um dos planos. A escolha dá a impressão que vemos personagens em uma foto-montagem.

Por fim, é possível concluir que o gênero parece fadado ao fracasso nas mãos de produtores capitalistas. Dhalia ganhou seu filão, mão-de-obra importada para seguir um certo padrão industrial. A experiência fora válida para conhecer o mercado e a forma de trabalho em Hollywood mas o produto final não valeu as 12 horas de trabalho e as outras 12 horas de insônia diárias. Que Dhalia arrume as malas o mais rápido possível para que seu nome não se perca nas madrugadas de insônia da televisão.

Assista ao trailer de 12 Horas

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