Depois do remake de “Vício Frenético” e do menos conhecido “My Son, My Son, What Have Ye Done”, Herzog diz estar tendo dificuldades para financiar seus filmes de ficção. Ele já tem dois roteiros prontos e pré-acordos com alguns atores, inclusive Naomi Watts para um deles, mas por enquanto sem estimativas sobre quando serão produzidos.

Apesar disso, o diretor parece não gostar de ficar parado. Nos últimos dois anos produziu cinco documentários entre longas, curtas e docs para TV e mostrou que, independente do gênero, sabe contar histórias e nos emocionar com elas.

Em seu último documentário para cinema, “Into The Abyss”, conhecemos a história de um criminoso no corredor da morte. O filme, segundo Herzog, fará parte de uma série com mais três ou quatro histórias de pessoas condenadas à pena capital. Segundo o próprio diretor em entrevista, esta série será um de seus trabalhos mais intensos.

Into The Abyss é um filme pesado que nos conta sobre dois acusados de homicídio, um no corredor da morte e o outro cumprindo 40 anos de prisão. O filme conta com depoimentos dos dois e de diversos outros personagens que, de alguma forma, fazem parte da história. Do padre que acompanha o sujeito na hora da execução a um ex-policial que era responsável por aplicar a injeção letal, passando por familiares dos sentenciados e vítimas. A carga dramática do filme, muito bem dosada, fica por conta de cada um desses personagens e de suas histórias. Herzog não aponta o dedo e nem consola ninguém, apenas os ouve e nos deixa ouvi-los.

O personagem principal, Michael Perry, é um jovem de 28 anos acusado por três homicídios. Quando se trata de um acusado à morte por tal atrocidade, costuma-se pensar em alguma pessoa monstruosa, fria. Ao contrário disso, Michael mostra-se de uma personalidade quase infantil que chega até a cativar alguns espectadores por sua ingenuidade. Seu depoimento é o mais interessante do filme, pois apesar de aparentemente sutil, tem em suas entrelinhas a voz de alguém que sabe que irá morrer em poucos dias e que nada tem a fazer sobre isso a não ser esperar.

O discurso todo do filme procura mostrar o quanto a morte é horrível indepente de qualquer referencial, e deixa claro o posicionamento do diretor sobre a pena de morte, que é muito bem ilustrado na frase de um policial que, depois de muitos anos, deixou o trabalho de acompanhar os acusados em seus últimos momentos: “Eu sei que é a lei. Mas é tão fácil mudar uma lei”.

Assista ao Trailer de Into The Abyss

Anúncios