O que esperar de um filme onde o personagem título é uma propaganda ambulante? Pouco, muito pouco. Ingênuo aquele que assiste Capitão América pensando que a veia patriótica americana não pulsará do ínicio ao fim do filme de Joe Johnston. O pulso ainda pulsa, agora em 3 dimensões. Capitão América é produto da Segunda Guerra Mundial, assim como tantos outros, criados para elevar a moral norte-americana. Está registrado, é fato, o primeiro quadrinho denuncia uma chuva de socos e pontapés do América em Hitler, o então vilão. Com a morte do Fuhrer eis que ascende o caveira vermelha, uma mistura de esqueleto (He-Man) e Mun-Ha (Thundercats) agora interpretado por Hugo Weaving, eterno agente Smith. Hugo é um bom ator mas seu personagem é vazio, o eterno conquistador que está disposto a destruir tudo e todos para alcançar um objetivo que sequer o mesmo sabe qual é. Quem melhor para detê-lo senão o rato de laboratório – Capitão América!

Como os demais super-humanos, Steve Rogers sofre um tipo de rejeição construída em base de seu biotipo esquelético. Um perdedor para o qual a América dará muita porrada mas nunca as costas, sua segunda chance residirá na poderosa ciência.  O personagem parece tão predestinado quanto o Ron Kovic de Nascido em 4 de julho. Quer ir à guerra de qualquer forma, mesmo que seja a favor da paz e contra a violência, filosofia antagônica ao seu papel na narrativa. Depois de beber a poção mágica dos Ursinhos Gummi e adquirir super poderes, o Capitão América é rejeitado pelo exército, servindo de marionete para um outro espetáculo, o de entretenimento às tropas. Quer melhor incentivo do que contar com Aquiles no campo de batalha? Pois o suicida Capitão América, assim como Rambo, sai em resgate do contingente sequestrado. Até o caveira não resiste à força do Hércules americano. Não há quem detenha os musculos e o escudo do Capitão América, enamorado pela bela oficial Peggy Carter, mulher durona mas com suas curvas sinuosas, um convite ao pecado em pleno front.

Mas o herói rejeita qualquer benefício próprio em prol da paz mundial. Decidido, nosso capitão reune seu grupo mesclado de etnicidades no combate ao eixo do caveira. Perde o melhor amigo mas não sofre um arranhão durante toda a projeção. Quem pode com o/a América? Sequer o pai de Tony Stark que faz ponta no filme para anunciar o desejo da Marvel em reunir seus vingadores. Só não pergunte quem sofrerá tal vingança, não sobrou sequer Osama. Por fim Capitão América revela-se um filme entediante e previsível, sua sequência de combates vai contra o desenvolvimento narrativo da própria indústria de entretenimento. O espectador questiona – quando ele vai apanhar? Jamais. O homem que carrega as cores da bandeira americana não pode sofrer no seu American Way of Fight. Seria ele o melhor adversário para Anderson Silva no UFC? Que também sirva de exemplo às crianças que tem um ídolo, mesmo que musculos e um escudo pareçam muito pouco frente ao atual arsenal bélico do Tio Sam.

Ultrapassado, nosso herói sofre o destino de Charlton Heston, não aquele revelado em Tiros em Columbine, mas o de Planeta dos Macacos. Onde estou? Quem é você? Sou seu empresário e precisamos dar uma repaginada no seu visual. Agora somos o inimigo. De que lado você está?

Como bem definiu minha amiga Loredana ao término da sessão – um filme fraco de um cara forte!

Assista ao trailer de Capitão América: O Primeiro Vingador

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