Poucas vezes me surpreendi tanto com um ator. Não que tenha visto algo espetacular ou comparável com alguma personalidade  daquela lista hors concours. Porém, como qualquer outro espectador, desenvolvo determinadas expectativas antes do ínicio da projeção. Tal preconceito foi desarmado pela atuação de Christian Bale em The Fighter, conhecido em terras tupiniquins como O Vencedor, filme postulante ao Oscar dirigido por David O. Russel. Antes de comentar o filme mas ainda enfatizando o papel de Bale, vale lembrar sua mudança de peso, o sujeito parece ter levado a sério o regime para encarnar o ex-lutador Dicky Eklund caracter que transita bem entre os papéis de herói e anti-herói da trama.

Eklund é o primogênito de uma família problemática, aparentemente centrada em Micky Ward (o ainda engessado Mark Wahlberg), filho mais novo que sonha com uma carreira vitoriosa no boxe, ao contrário de Dicky que ostenta no currículo apenas uma vitória sobre o lendário Sugar Ray Leonard. Enquanto Dicky é o centro das atenções, em parte pela metalinguagem do filme (o mesmo participa de um documentário), Micky é o filho a procura de um espaço, sombra do fracasso do irmão no ringue. Na família buscapé, ainda existem a mãe manager e as irmãs fofoqueiras, personagens que aumentam a confusão, propiciando certa comicidade à produção.

Micky só consegue fugir do eixo familiar através do namoro com Charlene (Amy Adams) personagem decisiva para que o boxeador profissionalize a própria carreira. O roteiro, parece adaptar bem a história dos irmãos desde a origem como pavimentadores até o ápice proporcionado pelo esporte. Porém o mais interessante é  a relação de Dicky com as drogas, em especial o crack, substância que gera forte dependência em quem a consome. O vicio de Dicky só aparece para a familia quando o mesmo começa a prejudicar a carreira do irmão. Até então seu carisma dribla qualquer preocupação ou cuidado especial. Voltando ao aspecto comparativo, a história de Dicky é comum e lembrou-me a de John Frusciante (guitarrista do Red Hot Chilli Peppers) que no início dos anos 90 abusou das drogas a ponto de morar na rua e perder todos os dentes.

Na trama hollywoodiana Dicky consegue se reerguer e ajudar o irmão. Ambos alcançam o happy end, algo previsível para um filme do gênero. Fora o destaque de Bale, o filme tem um aspecto vintage pela utilização de algumas cenas de época. Mesclar essas imagens faz com que tal se constitua quase como um cine jornal, algo comprovável pela didática na transição final entre as lutas até a disputa final pelo titulo mundial, a qual saberemos o resultado pela infeliz tradução do título. Como dito anteriormente não é um filme espetacular, longe disso, mas deve levar alguns prêmios por certos êxitos individuais, entre eles o que mais me surpreendeu – a mutação vencedora de Christian Bale.

Assista ao trailer de O Vencedor

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