Já vivera a fase de pagar para assistir filmes aparentemente agradáveis. Aquelas produções dignas do titulo “sessão da tarde”, puro desperdício de alguma tarde ociosa. Por vezes tais produções acertam na história, mas pecam em sua execução, demonstração do quão o autor e o público-alvo são importantes na configuração do material final. Não é o caso de O Turista, produção hollywoodiana dirigida por Florian Henckel von Donnersmarck, mesmo diretor do ótimo A Vida dos Outros. Para não perder o embalo comparativo, talvez o filme esteja no mesmo patamar do último A Pantera Cor-de-Rosa, obviamente sem a presença do inspetor Clouseau. Destrinchando é preciso citar que o filme conta com um primeiro cast de peso no cenário industrial – Angelina Jolie e Johnny Depp fazem par romântico no qual qualquer química ou entrosamento sequer existe. Uma pena que Depp frequentemente naufrague longe de sua tripulação pirata ou de seu grande mentor –Tim Burton.

Mesmo o cenário paradisíaco de Veneza pouco pode contra o fracasso da produção baseada em uma reviravolta final, artimanha utilizada por inúmeros filmes que fazem pouco ou nenhum sentido, tentativa bisonha de surpreender o espectador que deslumbrado releva a construção anterior. A surpresa fica por conta do péssimo trabalho de Henckel na direção e  desenvolvimento do roteiro. Johnny Depp também decepciona com um caractere frágil, professor de matemática, hipnotizado pela figura da bela Elise (Angelina Jolie), mais do que o personagem, Depp parece perdido ao ser cercado por tanta beleza. O professor não questiona ou estranha a aproximação de uma mulher sensual cujo disfarce é chamar a atenção por onde passa. Por pouco Jolie não entra muda e sai calada, sua finesse exacerbada é o cartão de visita em todas as cenas nas quais suas formas (bem esqueléticas por sinal) são valorizadas.

O fato do professor fumar um cigarro eletrônico já demonstra o quão artificial será o ambiente e a relação entre os personagens. Como sempre existe algum representante do leste europeu para fazer as vezes de vilão por um punhado de dólares. Do outro uma ineficiente interpol representada por um investigador obcecado por desvendar um novo mistério. Apesar da mudança de atores, personagens e cenário já conhecemos bem esse filme. Dele só podemos esperar um final feliz mesmo que perdure a trapaça de Henckel ao espectador. Não há qualquer destaque técnico positivo no filme que supere o fraco roteiro. Brad Pitt deve estar comemorando, Depp recebeu apenas um estalinho de Elise, mulher sensual mas intocável. Henckel deveria deixar os dias de Turista, carimbar o passaporte e embarcar de volta à Alemanha para que A Vida dos Outros não seja uma lembrança minguante em sua carreira.

Assista ao trailer de O Turista

Anúncios