Submarino, um ótimo titulo para a nova produção de Thomas Vinterberg, filme com personagens densos, fotografia pálida e drama suficiente para prender o espectador na poltrona. Vinterberg, parceiro de Lars Von Trier no manifesto Dogma 95, não faz mais questão de empregar os métodos que defendia. O uso da trilha sonora, mesmo que mínima, de iluminação e lentes especificas afasta o diretor do movimento dinamarquês que ganhou notoriedade na década de 90. Superado os dogmas o filme concentra sua ação na vida de dois personagens, irmãos separados por diversas tragédias. A principal, no entanto, ocorre durante a infância quando ambos são responsáveis por um bebê, irmão caçula desprezado pela mãe alcoólatra. O período conturbado refletirá no modo de vida de ambos e o avanço da infância à fase adulta é justificado pelo desenrolar da história.

Nick, o irmão mais velho mora em um apartamento pequeno, local introspectivo como sua personalidade. O personagem passa o dia deitado revezando garrafas de cerveja com a ida à academia de musculação, além de manter relações sexuais com sua vizinha. Nick vaga cabisbaixo pelas ruas, triste, amargurado e solitário, seu maior objetivo parece ser restabelecer contato com o irmão mais novo. As tragédias aumentam com o aparecimento do cunhado de Nick, sujeito obeso e com distúrbios sexuais, uma lembrança da paixão mal sucedida de Nick, destruída pelo período no qual esteve na prisão.

A saga do irmão mais novo de Nick não é menos dolorosa. Viúvo e com um filho pequeno ele não resiste ao vicio das drogas, destruindo aos poucos a relação paternal. O desejo de sustentar a criança e provocar um turning point fazem com que ele inicie uma nova carreira no tráfico de drogas, encerrada prematuramente pela policia. As ações de ambos irmãos são apresentadas isoladamente mas certos signos evidenciam que ocorrem simultaneamente. Nick e o irmão caminham juntos ao fundo do poço, encontrando-se no enterro da mãe que tanto prejudicara suas vidas. A única esperança é o garoto, vítima da infância difícil do próprio pai.

O filme é permeado por tristezas e tragédias, a atmosfera criada por Vinterberg é perfeita, a paisagem gélida, o tom desbotado e os personagens quase incomunicáveis atestam o que ocorre em muitos lares familiares – as consequências da destruição da infância na fase adulta. Obviamente existem exceções, histórias de superação mas no roteiro de Vinterberg o mais importante era demonstrar a gradativa destruição e uma esperança mínima que a cerca. O submarino é daquelas invenções do homem que submergem no desconhecido. Já os personagens do filme partidos ao meio e afundando são o Titanic de um cineasta que superou os próprios dogmas.

Assista ao trailer de Submarino

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