Filme de ação. Pancadaria. Tumulto. Velocidade. Angelina Jolie participa de tudo isso e mais um pouco em Salt, produção que teve de desembolsar U$20 milhões só com a caixinha da musa. A trama é atraente, apesar de esgotada – Angelina (Salt) é uma agente da CIA acusada de ser uma espiã russa infiltrada. Decidida, Salt foge na tentativa de proteger o marido e desvendar seu misterioso passado. O que mais encanta é a rápida transição de herói/ anti-herói/ herói graças ao roteiro que tragicamente agoniza no final com um desfecho piegas. Salt tem a sina de Peter Parker, renuncia a si própria pelo bem maior que nesse caso não é nada menos do que a pátria amada – Estados Unidos da América.

Ressuscitada a Guerra Fria e desmascarado o passado de Salt, o filme não constrói novos elementos baseando-se na fuga da heroína em busca da própria inocência e vingança. A personagem é uma mistura de Dr. Kimble (Harrison Ford, O Fugitivo) com  MacGyver de saias. Salt tem um ar de mistério com sua Poker Face, justiceira solitária que atira para ambos os lados da guerra. Para quem gosta de violência e ação o filme beira a perfeição, principalmente pela câmera na mão que varre as perseguições em uma tentativa cruel de que o espectador mergulhe na obra.

Pobres russos, mesmo com o fim do comunismo ainda permanecem como vilões nas tramas de espionagem. Os arábes os terroristas, os latinos traficantes e até os europeus já viveram dias de maldade. Nada que afete a pureza dos vizinhos do andar superior. Salt é fria como uma pedra de gelo, chora apenas por amor, sua feminilidade fica restrita a cor da tintura do cabelo durante o disfarce. Associar o rústico à força é mais fácil do que  o delicado, mesmo Angelina sendo das mais belas  em Hollywood. A indústria percebeu que um belo par de pernas poderia ser mais lucrativo e atraente do que um par de músculos.

Eis o fim da era Stallone, Schwarzenegger e Willis. Os marmanjos envelheceram e não ganharam muitos substitutos, arrastando-se por continuações que só conseguem provar o próprio fim. Poucos diretores conseguem desenvolver um filme de ação que agrade a massa e os mais exigentes. Talvez Michael Mann, mesmo assim nada de unanimidade. Angelina não parece preocupada com suas escolhas cinematográficas, acumulando altos salários, a principal musa de Hollywood age em outras batalhas mais significativas contra a fome e a miséria viajando como embaixadora da ONU. Quanto ao filme – puro entretenimento mesmo que sem Salt.

 Assista ao trailer de Salt

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