Splice. Não esqueça esse nome e se possível corra da criatura de Vincenzo Natali. Desperdício assistir uma produção tão  fraca com um tema naturalmente rico, mas é de praxe, quando o roteiro não é bom dificilmente algo se salva. Eis mais um caso no qual a parte técnica não merece citação. Mas por que tanto alarde por tal produção? Talvez pela única fortuna já enunciada – o tema. Em Splice a ciência e a ética chocam-se violentamente quando dois cientistas decidem aprimorar suas pesquisas desenvolvendo uma criatura com base no DNA humano. Bem, nenhuma novidade se considerarmos que existem 500 filmes com o mesmo mote nas prateleiras empoeiradas das nossas queridas locadoras.

Mas se você não tem paciência de procurá-los ou se contentar com uma simples negativa do balconista que não tem o conhecimento de um Tarantino, guarde esse filme para refrescar a memória sobre o assunto. Desde o trailer, fiquei intrigado e nitidamente desconfiado com o que veria. Splice me lembrava A Experiência (1995) com a bela Natasha Henstridge, musa que pagava o ingresso, porém diferentemente deste, o filme de Vincenzo Natali sobrevive com pequenas discussões centradas em Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley), casal de cientistas que trabalham em conjunto na pesquisa de enzimas. Contudo falta química entre os personagens.

O desejo é sempre o mesmo, a cura do câncer, da gripe suína, da tosse, e para tal vale tudo, inclusive injetar o próprio DNA no embrião de uma criatura desconhecida. Inicialmente perde-se parte do controle que é logo restabelecido para que no final o caos seja instalado. Narrativa mais do que manjada. Elsa é por demais emotiva e toma a criatura para si como um filho enquanto Clive mantém a distância cientifica até certo trecho do filme que prefiro não revelar de tão ruim.Deixando a ciência em segundo plano, a ética propicia boas reflexões, iniciemos pelos cientistas, ambos casados e trabalhando no mesmo projeto. A decisão final sempre é emocional, morte da razão e consequentemente de qualquer ética. A empresa que administra a confusão inicialmente comedida revela ao final sua ganância pelo lucro.

Ambos tem a chance de abortar o projeto logo no ínicio mas não o fazem pela simples curiosidade. Não mensuram os riscos e Clive clama por Jesus Cristo em certa passagem. Que ciência divina é esta? Amém, o filme acaba da pior forma possível, o que poderia ser desenvolvido não o fora – a personalidade dos personagens. Elsa é teimosa e irritante mas esconde um forte desejo maternal enquanto Clive é o típico banana que não consegue combater as loucuras da esposa. Dren, a criatura, tem comportamento humano, sua única deficiência é a fala, inexistente no intuito de desenvolver algum mistério sobre suas emoções. O corpo de Dren parece copiado de MIB, inclusive as perninhas tortas para trás. Faltou a originalidade empregada em Alien de Ridley Scott.

Não há como recomendar um filme desses, mesmo que a genética, o desenvolvimento de vacinas, tecidos e a pesquisa com células tronco seja um tema tão atual e importante no cenário contemporâneo. Dentre as criaturas desenvolvidas ainda prefiro as dos documentários da BBC, pelo menos essas ainda falam a minha língua (com legendas) perdendo em grandeza apenas para o nariz de Adrien Brody. Splice Splash!

Assista ao trailer de Splice

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